
A atriz Julia Gorman é um dos nomes de destaque na série Emergência 53, disponível no Globoplay. Na trama, ela dá vida a Daisy, uma profissional do sexo que é resgatada por uma socorrista – interpretada por Ana Hikari – após sofrer uma agressão no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
Sobre a preparação para o papel, Julia destaca a importância do ensaio com a coordenadora de intimidade Roberta Serrado. “No roteiro, havia uma simulação de sexo com certa violência. Durante o ensaio, conversamos sobre a melhor forma de conduzir a cena para a câmera, alinhando os movimentos com o outro ator. Isso nos deixou muito mais tranquilos na hora da gravação”, relata.
Na produção, a atriz contracena com Ana Hikari, Heloisa Jorge e Remo Trajano. Ela enaltece a parceria construída em cena: “A Ana foi extremamente atenta e delicada, sempre preocupada em não causar desconforto nas cenas mais pesadas. Contamos também com a orientação de um médico, que nos ajudou a retratar a situação da forma mais adequada.”
Julia também ressalta a importância de dar visibilidade a personagens marginalizados, como Daisy. “É essencial humanizar essas mulheres, especialmente num momento em que a violência contra a mulher cresce de forma exponencial. É um peso muito grande representar isso, e as horas de gravação não foram fáceis. Sou atriz e sei que aquilo não é real, mas é impossível não sentir que poderia acontecer com qualquer uma de nós”, desabafa.
Grandes vozes femininas
Além de Emergência 53, Julia está no ar em uma participação especial em A nobreza do amor, novela das 18h, onde vive Carmen Fonseca, uma cantora parceira do pianista Murilo Malta (Breno da Matta) que se envolve com Adônis (Gabriel Fuentes).
“É uma participação de poucos capítulos, mas amei todo o processo. Para construir a personagem, me inspirei em grandes vozes da música brasileira, como Dalva de Oliveira, Aracy de Almeida e Elizeth Cardoso. Elas me ajudaram a moldar a essência da Carmen”, explica.
Sobre a relação de Carmen com Adônis, a atriz conta que, apesar do flerte, o tom da história é mais cômico. “O Gabriel foi muito querido comigo. Me abraçou desde o primeiro dia, me deixou super à vontade, e nos divertimos muito com esse flerte de época. Como é novela das 18h, não posso dizer que foram cenas ‘quentes’; foram mais atrapalhadas e engraçadas. Ele vive sob as asas da mãe dominadora, Dona Geralda (Carol Badra), e os embates entre as duas foram uma delícia de fazer”, diverte-se.
Rita para menores
No teatro, Julia protagoniza a peça infantil Ritinha Rock & Roll – Rita Lee para crianças, em cartaz até 6 de setembro no EcoVilla Ri Happy, no Jardim Botânico (RJ). “Viver a Ritinha Lee é uma honra. O texto é muito bem construído e traz várias facetas da Rita adulta para o imaginário infantil”, afirma. Para ela, apresentar grandes nomes da música brasileira às novas gerações é fundamental: “Se as crianças saem da peça querendo ouvir Rita Lee em casa, acho que fizemos um bom trabalho.”
Carioca e com 40 anos, Julia revela que o desejo de ser atriz nasceu na infância, impulsionado pelas experiências no teatro ao lado da mãe. “Meu olhar sempre foi curioso sobre o comportamento humano, e sempre amei o teatro”, diz.
Ao longo da carreira, ela destaca trabalhos como a série Meu passado me condena, em que interpretou todas as ex-namoradas do personagem de Fábio Porchat, a produção Dependentes, com uma personagem complexa, e o filme A suspeita, em que contracenou com Glória Pires. “Cada personagem traz um desafio, e é isso que me atrai na profissão”, conclui.

Diversão e Arte
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