
Foi no início de 2025 que Gabriel Braga Nunes ficou espantado com a quantidade de notícias sobre depressão entre jovens com as quais se deparava no dia a dia. Pai de duas meninas, uma delas na pré-adolescência, ele começou a se preocupar.
E, como se tudo fizesse parte dos ares dos tempos, recebeu um telefonema do diretor Léo Stefanini com um convite: fazer a peça O filho, texto do francês Florian Zeller, sobre depressão entre jovens. Assim começou a trajetória do espetáculo que Braga Nunes traz a Brasília com sessões hoje e amanhã no Teatro Unip. "No início do ano passado, esse assunto de jovens deprimidos estava chegando na minha vida com muita frequência", conta o ator.
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A dramaturgia acompanha a vida de um casal separado em bons termos e um adolescente que enfrenta a depressão. "Quando li o texto, foi muito impactante. O Florian é um grande escritor", garante Braga Nunes, que está na terceira temporada em São Paulo e agora viaja pelo país com o espetáculo. No palco, ele vive o pai de Nicolas (Andreas Trotta), um jovem de 16 anos que se sente perdido e sem perspectivas diante da vida.
O filho faz parte de uma trilogia de Zeller, que também investiga a solidão em A mãe e a perda da memória em O pai. No processo de ensaios, o elenco e a equipe se reuniram com psiquiatras e psicólogos para tentar compreender a origem dos sintomas depressivos, como se manifestam e por que são tão frequentes na espécie humana.
"O que está acontecendo e alguns fatores são bem claros", explica Braga Nunes, ao refletir sobre como o modo de vida contemporâneo pode afetar a saúde mental dos jovens. "A IA, que vem para acabar com os empregos, para quem está tentando pensar que faculdade vai fazer, é um balde de água fria", lamenta o ator, que acrescenta ao pacote a sensação de fim de mundo gerada pela crise climática a ansiedade gerada pelas redes sociais.
Braga Nunes divide o palco com Maria Flor, que faz a mãe do adolescente. Para ele, a dramaturgia aposta nas práticas de enxerga e escuta para ajudar os jovens. "A gente tem que conseguir enxergar nossos filhos como indivíduos e não como projeção dos nossos sonhos e desejos", acredita o ator.
O Filho
- Com Maria Flor, Andreas Trotta e Gabriel Braga Nunes.
- Direção: Léo Stefanini.
- Hoje, às 20h, e amanhã, às 19h30, no Teatro UNIP (SGAS 913).
- Ingressos: a partir de R$ 25 (meia), no Sympla e na Belini (113 Sul).
- Não recomendado para menores de 16 anos