clássico dos anos 1990

"Confissões de adolescente" ganha versão musical e relançamento de livro original

A montagem traz Flor Gil, neta de Gilberto Gil, no papel principal, além de Clara Guimarães, filha de Ingrid Guimarães, e Laura de Oliveira, filha de Maria Mariana — a autora do clássico que retorna também com relançamento do livro original dos anos 1990

Elenco da montagem de
Elenco da montagem de "Confissões de adolescente - O musical" - (crédito: Amanda Aguiar.)

Mais de trinta anos depois de marcar uma geração no teatro, na literatura e na televisão, Confissões de adolescente, de Maria Mariana, renasce como musical. O espetáculo estreia em 23 de outubro de 2026, na EcoVilla Ri Happy, Sala Tom Jobim, e segue em temporada até 29 de novembro, com sessões às sextas (20h) e sábados e domingos (19h).

A nova montagem traz Flor Gil, de 18 anos, como protagonista. A produção também celebra uma passagem de bastão entre gerações: Clara Guimarães, filha de Ingrid Guimarães, e Laura de Oliveira, filha de Maria Mariana, estreiam nos palcos na mesma obra que consagrou suas mães nos anos 1990. Completam o elenco Vannessa Gerbelli, Igor Jansen, Gi Alparone, Belle Restum, Belle Cárceres e Sanny Feijó. A cada sessão, um convidado especial participa do espetáculo.

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Na nova trama, Carol (Flor Gil) é uma adolescente que, diante dos dilemas típicos da idade, viaja ao passado e encontra a própria mãe ainda jovem. Juntas, enfrentam essa travessia. O texto e a direção são de Matheus Souza, com produção de Diego Timbó, Victor Pinto e Beatriz Rhaddour.

“A intenção não era repetir o texto, mas criar uma nova obra”, conta Victor Pinto, produtor do espetáculo. Segundo ele, a adaptação amplia o debate geracional e diversifica o elenco, antes restrito a quatro meninas em cena. “É um projeto pensado para ter vida longa”, afirma, mencionando planos de desdobrar o musical em podcast e outros formatos.

Para o diretor Matheus Souza, remontar a obra é honrar seu espírito original. “O papel do artista não é dar o que o público está querendo. É dar o que o espectador não sabe que quer... E que está precisando muito receber”, afirma.

A escolha do elenco, segundo Diego Timbó, buscou representar as contradições e vivências da nova geração. A protagonista chegou por indicação de Preta Gil, que apresentou Flor a Timbó ainda criança. “Quando ela subiu ao palco para cantar, nós já sabíamos que era ela”, conta.

Capa da nova edição do livro "Confissões de adolescente"
Capa da nova edição do livro "Confissões de adolescente" (foto: Reprodução)

Relançamento do livro

Livros como Confissões de adolescente (Maquinaria Editorial) atravessam gerações porque falam de algo que nunca deixa de ser atual. Nascido dos diários que Maria Mariana escrevia desde os 9 anos por conselho do pai, o cineasta Domingos Oliveira, o livro estreou primeiro como peça, em 8 de março de 1992, no porão do Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro. Dali, ganhou a televisão, virou fenômeno editorial e vendeu mais de 250 mil exemplares, em um tempo em que a literatura nacional raramente chegava às listas de mais vendidos. 

Agora, 34 anos depois, Maria Mariana, hoje aos 53 anos, mãe de quatro filhos e formada em psicologia, assina um prefácio inédito em que revisita a jovem da primeira capa. "Reler meu próprio livro tem sabor de recomeço, de estar escrevendo uma nova edição de mim mesma", escreve. Não para corrigir a garota que foi, mas para deixá-la ser o que é: "Olhar para a menina de 19, sem idealizar, nem crucificar".

Lançada há menos de um mês, a edição resgata também a apresentação original de Domingos Oliveira e traz textos das atrizes do elenco que deram voz a essas confissões no palco: Patrícia Perrone, Carol Machado e Ingrid Guimarães, cada uma contando a própria adolescência e o batismo como artista. Nos textos, pérolas como o relato de Ingrid sobre a primeira vez que fumou maconha e desceu à rua, sem perceber, com uma toalha enrolada na cabeça.

Mais do que nostalgia, a nova edição é um convite ao diálogo entre duas gerações. A adolescente dos anos 1990 é hoje mãe de adolescentes, e a proposta é colocar esses dois tempos lado a lado, sem dizer qual é melhor ou pior, apenas provocando a reflexão sobre o que mudou e o que permanece igual quando o assunto é crescer. "Os anseios adolescentes sempre serão eternos, e a necessidade de diálogo continua sendo o maior desafio. O único fio que pode trazer união", reflete a autora.

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postado em 25/09/2026 17:11
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