Depois de três anos do impacto provocado por Blonde, com a indicada ao Oscar Ana de Armas interpretando a mitológica Marilyn Monroe, chega outro desafio para uma atriz icônica: Ellen Burstyn. Hoje, no Festival de Veneza, ela estará em foco absoluto, dada não só a projeção de Flesh impact, curta-metragem em que, aos 93 anos, interpreta Monroe, quanto na conquista do Leão de Ouro pela extensa carreira ascendente desde os anos de 1970.
"Marilyn era de uma beleza impressionante; nossos olhares se cruzaram (numa boate) e... senti que ela havia me reconhecido", demarcou Burstyn, em entrevista à rede ABC, ressaltando nunca ter conhecido a colega. Ciente de que Monroe, morta aos 36 anos (em 1962), "criou todo o conceito de Marilyn Monroe e o interpretou", Ellen Burstyn destacou à imprensa americana que tinha por massagista o mesmo profissional de Monroe; daí ter enriquecido ainda mais a nova obra conduzida pela diretora Maggie Gyllenhaal.
"Pareceu uma boa ideia para mim (interpretar a colega que teria feito 100 anos em 2026)", contou Burtyn para a Associated Press. Uma bíblia para a composição de Monroe, o livro The thinking body (de Mabel Elsworth Todd) foi vital para a criação de Ellen Burstyn, presente em mais de 150 obras e ainda copresidente do The Actors Studio criado por Lee Strasberg. A atriz que ainda está no elenco de A place to be, junto com Taika Waititi, na fita de Kornél Mundruczó, se disse desafiada e adepta da profundidade assumida no filme de Maggie Gyllenhaal.
"Profundo, divertido e maravilhoso” foram os adjetivos de Burstyn para o filme em que se encontra com colegas como Dakota Fanning, Peter Sarsgaard e Sepideh Moafi (de The Pitt). Ganhadora do Oscar, por Alice não mora mais aqui (de Martin Scorsese), de um prêmio Tony e dois troféus Emmy, Burtyn foi destacada como “modelo absoluto de autenticidade na atuação e no engajamento cívico”, pela ótica do diretor do festival de Veneza, Alberto Barbera. O fio condutor do novo curta mostrado em Veneza apresenta Monroe idosa e vulnerável, num solitário teste de palco teatral.
Indicada ao Oscar, há 25 anos por Réquiem para um sonho, Ellen Burstyn ainda competiu mais outras quatro vezes: em 1981, por Ressurreição; em 1979, por Tudo bem no ano que vem; em 1974, por O exorcista, e, em 1972, por A última sessão de cinema (como atriz coadjuvante).
