Aos 13 anos, o brasiliense Léo Brandão tem um currículo que atores veteranos invejariam. Ator, cantor, dançarino e dublador, o jovem artista está atualmente no centro de um dos projetos mais emocionantes do teatro brasileiro: interpreta o humorista Paulo Gustavo (1978-2021) na infância no espetáculo Meu filho é um musical, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo.
A trajetória de Léo, no entanto, começou bem longe dos grandes palcos paulistanos. Nascido e criado em Brasília, foi na capital federal que ele descobriu, aos 8 anos, a paixão que mudaria sua vida. "Um dia meus pais me levaram para uma aula experimental de teatro, na escola Neia e Nando, em Brasília, e eu adorei", conta o ator. O talento era tão evidente que, na primeira aula, ele foi convidado para se apresentar em shoppings da cidade no papel do Grilo Falante na peça de Pinóquio.
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O ano de 2023 marcou um ponto de virada na carreira de Léo. Uma audição para o musical O Rei Leão abriu as portas para o cenário artístico nacional. Aprovado para interpretar o jovem Simba, ele e a família tiveram apenas dois meses para se mudar para São Paulo.
A mudança representou a realização de um sonho e a aceitação de uma realidade: "Em São Paulo, a gente mudou para um apartamento. Então, senti muita falta da minha casa e também da família e dos amigos. Acho que hoje já estamos mais adaptados", relata. E acrescenta, com uma leve lamentação: "E acho difícil voltar porque infelizmente Brasília não oferece as oportunidades que São Paulo e Rio".
A decisão de mudar não foi apenas por uma oportunidade passageira. O pai de Léo, Fred Brandão, compara a experiência de fazer parte de um espetáculo da magnitude de O Rei Leão a "participar de uma Olimpíada", com todos os cuidados e desafios que isso implica. O trabalho no musical, inclusive, rendeu o convite para dublar a animação Wish: O poder dos desejos.
Um personagem real
Após a experiência no grande musical da Disney, o novo desafio de Léo é completamente diferente e, para ele, ainda mais especial. Interpretar Paulo Gustavo é dar vida a uma pessoa real, não a um personagem de conto de fadas. "A mãe dele está no palco, a irmã dele está dirigindo, grande parte da equipe trabalhou com ele. Tudo é mais real. E o musical é autoral brasileiro, né? Existe muito mais liberdade, o meu Paulo Gustavo criança tem muito do Paulo, mas também tem muito de mim", argumenta.
Para se preparar, Léo conta com o auxílio de uma rotina puxada de aulas de canto, dança e teatro. "Cada parte tem um desafio diferente. Além do canto, faço aula de balé, contemporâneo, sapateado, hip hop, além de aulas de teatro musical", explica. Essa disciplina, segundo ele, é essencial para os desafios do teatro ao vivo, que ele considera mais difícil do que a dublagem: "É ao vivo. E na dublagem, se eu errar, eu posso repetir. Fico mais tranquilo".
Com um futuro promissor pela frente, Léo não esconde sua paixão pelo que faz e seus sonhos profissionais: "Atuar é o que eu quero fazer. Eu amo dar vida a novos personagens e levar um pouco de mim para eles. Também gosto muito de cantar, dançar e dublar. Mas o palco é onde eu mais gosto de estar". No horizonte, o filho ilustre de Brasília deseja continuar nos musicais e também explorar trabalhos na televisão, cinema e, quem sabe, atuar fora do Brasil.
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