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Bruno de Mello define como 'loucura boa' emendar duas novelas na TV Globo

Ator de 43 anos conta como foi gravar "Êta mundo melhor!" e "Quem ama cuida" quase ao mesmo tempo, e reflete sobre o momento de trabalho intenso na carreira com produções na tevê aberta, no cinema e no streaming: "Esperei por momentos como este"

Depois de emendar as gravações de Êta mundo melhor! com Quem ama cuida, o ator Bruno de Mello, que dá vida a Luan na novela das 21h, descreve o período como "uma loucura boa". Ele conta que precisava virar a chave de um personagem para o outro e que os universos, épocas e tons eram completamente diferentes. Ainda assim, encarou tudo com muita alegria e gratidão: "Eu esperei muito por momentos como este na minha carreira".

A transição de uma novela das seis para uma das nove, ambas assinadas por Walcyr Carrasco, segundo Bruno, trouxe um aumento de intensidade e de repercussão. "Uma novela das nove tem uma repercussão enorme e eu senti isso rapidamente, inclusive na rua", relata o ator, que, em Êta mundo melhor!, interpretou Paulo Aguiar, um ator de radionovela. Mas, dentro do estúdio, o compromisso permanece o mesmo: estar disponível, preparado e contar aquela história da melhor maneira possível. O que mudou foi perceber o tamanho dessa oportunidade e a responsabilidade que vem junto com ela.

Na trama, Luan é assessor e advogado de Ademir, personagem de Dan Stulbach. "Por circular perto de um homem extremamente poderoso, é preciso observar muito, entender o jogo e saber a hora de falar e a hora de ficar em silêncio", reflete. O ator revela que gosta de imaginar um Luan além daquele escritório, com ambições, limites e contradições que ainda não apareceram completamente. E defende deixar essa porta aberta: "Personagem bom é aquele que pode surpreender a gente também".

Sobre a parceria com o veterano Dan Stulbach, o artista de 43 anos afirma que a química nasceu muito no encontro. "O Dan é um ator que eu admiro demais, e trabalhar com ele é uma aula de escuta", elogia, lembrando que já haviam trabalhado juntos em um filme. "Ele está sempre muito presente e isso faz com que a cena esteja viva", completa. A relação entre Ademir e Luan, feita de poder, confiança e também de leitura um do outro, foi se construindo aos poucos. "Tem muita coisa que nasce na troca, no olhar, no tempo da cena. A parceria foi crescendo naturalmente conforme fomos gravando", completa.

"É por isso que quis ser ator"

Com trabalhos recentes como o hit Tremembé — série que vem em segunda temporada no Prime Video — e agora duas novelas seguidas, o ator acredita que o mercado começa a enxergá-lo de outra forma. "As pessoas estão tendo a oportunidade de me ver fazendo trabalhos muito diferentes", observa. Para ele, isso é fundamental. "Eu não quero ser reconhecido por conseguir fazer uma coisa só. Quero justamente poder transitar, me transformar e fazer personagens que me tirem de lugares conhecidos", reflete o pai de Pietro e Bento.

Vinicius Mochizuki - Bruno de Mello, ator

Questionado se tem sobrado tempo para escolher o próximo passo diante de três filmes — sendo eles Sexa, protagonizado e dirigido por Glória Pires —, streaming e televisão aberta em sequência, o ator responde com humor: "Tem um pouco das duas coisas". E explica que, embora tenha desejos muito claros como ator, aprendeu algo valioso: "Essa profissão tem caminhos que a gente não controla". Vivendo um momento de muito trabalho, algo que buscou por muitos anos, quer aproveitar a fase. "Hoje, consigo olhar para um projeto e pensar não apenas se quero trabalhar, mas o que aquele personagem pode me provocar. Quero continuar contando histórias que me desafiem. Não penso tanto em tamanho de personagem quanto na possibilidade de fazer algo que ainda não fiz", pondera.

Sobre a cena que o fez pensar "é por isso que eu quis ser ator", Bruno diz ser difícil escolher apenas uma. "Tenho vivido alguns momentos assim nos últimos trabalhos", conta. "Às vezes, não é a cena mais importante do roteiro, mas aquele instante em que você está contracenando, esquece de todo o resto e sente que alguma coisa realmente aconteceu ali", avalia. Quando há troca verdadeira com outro ator, com a direção, com a equipe, ele lembra exatamente o motivo da escolha profissional. "Eu quis ser ator para viver outras vidas, para contar histórias e, principalmente, para continuar sendo surpreendido por elas", finaliza.

 

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