Em menos de um mês no ar, Dalila conquistou o público de Por você. A personagem da novela das 19h da TV Globo, interpretada por Lívia Silva, uma jovem atriz de 21 anos que acumula uma década de carreira e papéis marcantes na televisão e no cinema, chegou com uma energia solar, humor afiado e uma leveza que, segundo ela, tem tudo a ver com o momento. A intérprete reflete sobre a rápida conexão com a audiência, a transição radical entre a sofrida Teca, de Renascer, e a espontânea Dalila, e os projetos que marcam sua trajetória, como o filme O filho de mil homens, sucesso global da Netflix.
Para a atriz paulista, o carisma de Dalila não vem de um único fator, mas da soma de características. "Ela tem um sorriso cheio que ilumina o seu entorno, trazendo consigo uma leveza que acho que precisamos muito no nosso dia a dia", afirma. A personagem, que mistura humor, consciência e personalidade, cria uma identificação imediata: "Ela é solar, mas ao mesmo tempo tem suas opiniões e não tem medo de se posicionar. Essa mistura faz com que as pessoas se reconheçam nela, se divirtam e também queiram acompanhar o que vem pela frente".
A chegada de Dalila acontece dois anos após Renascer, onde Lívia viveu a Teca, uma menina em situação de rua com uma carga dramática intensa. A mudança radical de registro foi, segundo ela, um exercício e tanto. "Ser atriz é poder beber de fontes completamente diferentes em um curto espaço de tempo. Dramaturgicamente falando, fui criada no drama e, para mim, é um lugar muito fácil de acessar e construir. O tempo, os silêncios e os olhares caminham juntos, mas, quando estamos falando de algo mais cômico, nem sempre os silêncios são bem-vindos", observa a canceriana.
A atriz explica que Teca carregava no corpo, no olhar e nos silêncios as dores de uma realidade de abandono e sofrimento geracional. Já Dalila exige outras ferramentas. "Interpretá-la me fez exercitar outros tempos, principalmente o ritmo da comédia, que exige muita escuta e presença. Foi uma transição muito gostosa e, ao mesmo tempo, desafiadora. Gosto de poder transitar por personagens tão diferentes, porque cada uma delas me ensina algo novo", avalia Lívia.
Na trama das 19h, Dalila tem se mostrado um eixo importante para Peixe, personagem de Cauê Campos. A química entre os dois em cena, segundo a atriz, nasce da parceria e da admiração mútua. “Viver a Dalila com o Cauê torna tudo mais fácil. A parceria com ele tem rendido momentos de muito aprendizado e também muitas risadas. Sempre fui fã do trabalho impecável e dessa certeza que é Cauê Campos”, elogia.
Lívia conta que a sintonia aparece na tela, mesmo com personalidades tão distintas. “Eles têm personalidades muito diferentes, mas existe uma conexão e uma leveza nessa dinâmica que tornam os dois muito interessantes juntos. Estamos construindo essa relação com muita escuta e liberdade para experimentar. E posso dizer que ainda vem muita coisa por aí. A relação deles vai ganhar novas camadas e sinto que o público ainda vai se surpreender bastante”, adianta.
Pautas urgentes
Enquanto a novela acontece, Lívia também está nas telonas. Nesta quinta-feira (17/9), estreia Era uma vez minha primeira vez, filme baseado na obra de Thalita Rebouças, que aborda a primeira experiência sexual de forma plural. “É um filme que fala sobre amizade, descobertas, afetos e, principalmente, sobre as diferentes formas de viver e experimentar essa fase da vida”, conta. Para a atriz, a história conversa com a geração atual: “Não existe uma única maneira de se relacionar com o amor, com o próprio corpo ou com a sexualidade. Cada personagem vive isso de forma muito particular, e isso dialoga com uma geração que tem buscado se conhecer mais e questionar padrões”.
Já em Apenas 3 meninas, ao lado de Mel Maia e Letícia Braga, a atriz integra um projeto inspirado em uma história real sobre vulnerabilidade menstrual na Zona Norte do Rio. Questionada se escolhe projetos com recorte social, ela reflete: “Acredito que os personagens encontram seus donos e que essas personagens me encontraram por algum motivo. Trazer voz para pautas tão urgentes e que ainda precisam ser discutidas é algo que carrego com muito carinho. A arte tem o poder de provocar discussões, gerar identificação e fazer com que histórias possam ser vistas e ouvidas”.
Lívia também celebra a repercussão global de O filho de mil homens, produção da Netflix que a desafiou intensamente. “Viver a Isaura, uma personagem que carrega tantas dores e camadas, exigiu muita entrega e foi uma experiência de densidade muito grande. Mas é muito emocionante ver uma obra brasileira atravessando fronteiras e alcançando públicos diversos. Acho muito potente ver o cinema nacional ocupando esses espaços, mostrando a força das nossas histórias, dos nossos artistas e da nossa cultura para o mundo”, pondera ela, que, no longa, dividiu tela com nomes como Rodrigo Santoro e Johnny Massaro.
Curiosidade e desafio
Com 10 anos de carreira, a atriz coleciona papéis marcantes, de Guilhermina, em Sessão de terapia, a Dalila. “Vivi histórias sensíveis e completamente diferentes, mas que se cruzam com a sensibilidade que sempre busco carregar nas minhas personagens. Procuro conectá-las aos silêncios, à leveza e à sensibilidade que todos nós carregamos”, comemora.
Sobre o que quer para o futuro, ela é direta: “Penso em continuar sendo a profissional que sou, sempre aprendendo, absorvendo e me permitindo ser atravessada por cada personagem e por cada história. Quero continuar tendo curiosidade, me desafiando e, principalmente, encontrando novas formas de contar histórias através da minha atuação”.
