
Um filme que fala sobre cinema e sobre a feitura da sétima arte, com potencial de comunicação junto a público diversificado: assim alardeia parte da equipe da comédia nacional Morte e vida Madalena (do cearense Guto Parente), em cartaz, às 18h30 (de hoje), no Cine Brasília (EQS 106/107). "A gente fez um trajeto muito longo. Estreamos em julho de 2025 no Festival International de Cinema de Marseille (França), com uma ótima recepção, fomos premiados, estreamos, no Brasil, no Festival de Cinema de Brasília", observa a protagonista do filme, a atriz e dramaturga Noá Bonoba. Na tela, ela encara a personagem grávida que viu o pai morrer, enquanto, como produtora de cinema, nota intermináveis tropeços na feitura de novo filme.
"A gente mostra como que é um set de cinema, com todos os perrengues, sem romantizar, mas de uma forma leve, de jeito engraçado, trazendo debates e levantando uma homenagem ao cinema", destaca a atriz. Para Noá, Morte e vida Madalena surge num momento em que as pessoas começam a se interessar por cinema. "O público brasileiro começa a aprender a gostar do próprio cinema, infelizmente, depois de uma legitimação estrangeira; porque foi assim que aconteceu: anteriormente, havia sido ensinado a odiar o próprio cinema", avalia Noá Bonoba.
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As sensações de humanidade e de coletividade no set representado pelo filme de Guto Parente motivaram discussões, pelo que conta Noá, nome à frente do alargamento de oportunidades para pessoas trans e travestis. "Desde 2015, viemos com o movimento de ver pelo menos pessoas trans ocupando os lugares de interpretação de personagens trans. E o que acontece no Madalena é um procedimento de casting muito raro, e que precisa cada vez mais acontecer: ter uma atriz travesti interpretando uma mulher cisgênero", pontua Noá Bonoba.
A artista conta do orgulho de ver capacidade, currículo e singularidade para interpretar Madalena valorizados, como indicou uma conversa com Guto. "Temos sofrido com retrocessos em torno de conquistas de pessoas trans em que, anteriormente, havíamos avançado. Esse é o panorama. A gente tem vivido muita dificuldade, mas trans continuam se capacitando. Estamos dentro do mercado de trabalho, e não vamos sair", acrescenta.
Diversão e Arte
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