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'Rainha do bisturi': dermatologista acompanha casos complexos em série

Série documental acompanha casos complexos tratados pela dermatologista Carol Brandão e aborda os impactos das doenças de pele na autoestima e nas relações pessoais

Carol Brandão acompanha pacientes com condições dermatológicas complexas em série da HBO Max -  (crédito: Divulgação/HBO Max)
Carol Brandão acompanha pacientes com condições dermatológicas complexas em série da HBO Max - (crédito: Divulgação/HBO Max)

A pele é a primeira barreira entre o corpo e o mundo exterior, mas também pode ser uma fonte de desconforto, insegurança e isolamento. É a partir dessa perspectiva que a série documental A rainha do bisturi com Dra. Carol Brandão acompanha pacientes que enfrentam condições dermatológicas complexas e encontram no tratamento uma possibilidade de transformação. A produção brasileira, disponível na HBO Max, propõe um olhar que vai além dos procedimentos médicos para mostrar as histórias e os sentimentos de quem convive com lesões na pele.

Ao longo de oito episódios, a dermatologista e cirurgiã dermatológica Carol Brandão atende pacientes com quadros que vão de inflamações severas a deformidades provocadas pelo câncer de pele. Diagnósticos, cirurgias e processos de recuperação são registrados pelas câmeras, em uma abordagem que busca explicar os procedimentos e evidenciar os efeitos das condições dermatológicas sobre a vida cotidiana.

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Para a médica, o diferencial da produção está, justamente, em não reduzir os pacientes às doenças que apresentam. "Não estamos tratando só casos ou doenças, são pessoas", destaca a médica. "E é isso que a gente mostra no programa. Quem é cada um, o que faz e como enxerga o mundo. No meu encontro com eles, há troca e conexão, para que todos tenham confiança em mim e no meu trabalho", afirma.

A exposição dessas histórias diante das câmeras, no entanto, exigiu cuidados. Por se tratar de casos reais, a equipe precisou conciliar o registro dos procedimentos com a privacidade e o conforto dos pacientes. Carol conta que uma das dificuldades foi lidar com o próprio impulso, como profissional de saúde, de proteger os que estão sob seus cuidados. "Nós, médicos, sempre queremos defendê-los, no sentido de não querer expor ninguém, e a série é exatamente o contrário", relata.

Para superar o desafio, a médica construiu uma relação de confiança com os participantes para além do consultório. "Foi desafiador. Por isso, eu procurei ter um bom relacionamento com meus pacientes fora das câmeras, para que eles pudessem ter a segurança de que podiam se entregar para aquele cuidado, porque eu sei que é algo muito difícil", diz. Carol destaca ainda a preocupação em explicar o processo e preservar a dignidade de cada um, para que as imagens fossem respeitosas e, ao mesmo tempo, capazes de mostrar cada uma das transformações.

Dermatologia da vida real

Carol define sua atuação como uma "dermatologia da vida real", voltada para situações que nem sempre recebem a devida atenção. "Às vezes, a gente não tem noção do quanto uma coisa, que pode ser considerada boba ou simples, pode trazer tanto prejuízo a alguém. A pele é a última barreira que existe entre nós e o mundo", ressalta a médica.

A cirurgiã defende que alterações na pele podem mudar a maneira como uma pessoa é percebida pelos outros, por isso, o trabalho médico também envolve ajudar o paciente a recuperar a segurança e a liberdade para realizar atividades cotidianas. "Poder ser alguém que ajuda pessoas a terem uma relação melhor com o mundo é algo muito poderoso para mim", celebra.

Outro eixo da série é a divulgação de informações sobre dermatologia. Para a médica, a banalização dos cuidados com a pele e a circulação de dados equivocados contribuem para a percepção de que tratamentos dermatológicos são simples e dispensam avaliação especializada. "Às vezes, as pessoas não têm a mínima noção das complicações que uma doença de pele pode acarretar", alerta.

Carol enxerga na produção uma oportunidade de esclarecer dúvidas e mostrar a complexidade da especialidade, que vai muito além da prescrição de cremes e pomadas. "Existem pesquisas que apontam que os brasileiros não sabem nem que dermatologista é médico", lamenta. "Então, eu vejo o programa como um contraponto nessa enxurrada de desinformações, mostrando a parte mais profunda e real da nossa profissão. A dermatologia médica é mais presente no nosso dia a dia do que a gente imagina. Ela está em tudo", conclui.

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postado em 25/10/2026 06:00
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