
Quatro anos depois de contestar a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022, a atriz Regina Duarte, de 79 anos, voltou a compartilhar conteúdos que colocam em dúvida a legitimidade de uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Desta vez, as publicações foram feitas após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado no domingo (25/10), quando o petista superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e conquistou seu quarto mandato.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Em uma das postagens divulgadas nas redes sociais, a ex-secretária especial da Cultura do governo Bolsonaro reproduziu um vídeo que sustenta, sem apresentar provas, que o resultado da eleição poderia ser anulado judicialmente.
A gravação atribui supostas irregularidades a decisões judiciais, tratamento desigual entre candidaturas e campanhas de desinformação, mas não apresenta elementos que comprovem fraude na votação.
O conteúdo também convoca os seguidores a ampliar sua circulação, com um pedido direcionado aos apoiadores do candidato derrotado: “Flávio precisa que você compartilhe esse vídeo”.
Regina acompanhou a publicação com uma manifestação de preocupação, classificando o conteúdo como "assustador" e incentivando o público a refletir sobre o futuro do Brasil. A atriz, que mantém histórico de apoio político à família Bolsonaro, também compartilhou outras mensagens que questionam o desempenho eleitoral de Lula.
Em uma delas, afirmou que Portugal estaria "abismado" com o resultado brasileiro. A publicação reproduzia números da votação presidencial e sugeria que o crescimento dos votos recebidos pelo petista entre os dois turnos mereceria ser examinado pelos seguidores.
O texto mencionava que Lula havia recebido aproximadamente 53 milhões de votos na primeira etapa da disputa e encerrado o segundo turno com 64 milhões.
Ao abordar a transferência de votos de candidatos eliminados e a participação de eleitores que não haviam comparecido anteriormente, a mensagem convidava o público a questionar os resultados: “Parem para pensar um pouco”.
Ver esse post no Instagram
Os números mencionados, entretanto, não demonstram irregularidades. No sistema eleitoral brasileiro, os votos conquistados no primeiro turno não ficam vinculados a uma candidatura na segunda etapa. Os eleitores podem alterar suas escolhas, enquanto aqueles que votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram anteriormente também podem participar da votação seguinte.
De acordo com os resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula passou de 53.876.617 votos no primeiro turno para 64.256.232 no segundo, crescimento de aproximadamente 10,4 milhões de votos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, recebeu inicialmente 56.104.268 votos e terminou a disputa com 59.826.041.
A apuração confirmou a reeleição do presidente com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Questionamentos semelhantes em 2022
A divulgação de suspeitas sem comprovação sobre o sistema eleitoral não é inédita nas manifestações políticas de Regina Duarte. Após a eleição presidencial de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro, a atriz também utilizou suas redes sociais para contestar o resultado e demonstrar apoio às mobilizações organizadas por simpatizantes do então presidente.
Em novembro daquele ano, enquanto grupos bolsonaristas promoviam manifestações em diferentes cidades brasileiras, Regina compartilhou publicações que defendiam uma auditoria da votação e a anulação do segundo turno. Na ocasião, ela chegou a negar que Bolsonaro tivesse sido derrotado, apesar da confirmação do resultado pela Justiça Eleitoral.
Em uma mensagem publicada no Instagram, a atriz reproduziu acusações de fraude e defendeu a revisão da apuração.
"O povo não quer esta eleição, o que há é povo honesto, povo honrado querendo manifestação da Constitucionalidade. Auditoria e recontagem dos voto: anulação do segundo turno das eleições à presidência em 2022. Não existe derrota do Bolsonaro, a vitória de Lula é ilusória, todo mundo já sabe", escreveu na época.
As alegações não foram acompanhadas de provas. O resultado da eleição havia sido confirmado pelo TSE, e os procedimentos de votação e totalização passaram por mecanismos de fiscalização e auditoria.
As manifestações apoiadas por Regina também incluíam grupos que pediam a intervenção das Forças Armadas para impedir a posse do presidente eleito. Entre as reivindicações estavam a permanência de Bolsonaro no poder e a realização de uma nova eleição, medidas sem respaldo constitucional.
A atriz chegou a compartilhar, em 14 de novembro de 2022, uma mensagem atribuída a uma participante dos protestos, na qual exaltava a mobilização dos manifestantes e daqueles que contribuíam para sua organização.
"Os heróis, as heroínas anônimas da estrutura que sustenta a Vigília pró Liberdade dos conterrâneos do nosso amado Brasil merecem, sempre mereceram medalhas, de amor à pátria", dizia um trecho da publicação.
Na mesma época, Regina também se envolveu em outra controvérsia ao divulgar conteúdo que incentivava a identificação de comerciantes que haviam votado no PT. A publicação foi alvo de críticas por estimular a discriminação de pessoas em razão de suas preferências políticas e acabou retirada de suas redes sociais, conforme noticiado pelo portal NaTelinha, do UOL, em novembro de 2022.
Saiba Mais
Mundo
Política
Política