
O fotógrafo francês Emmanuel Lenain é encantado pela arquitetura brutalista. Diferentemente da maioria das pessoas, ele não vê nada de rude ou frio na organização de retas e curvas em concreto que viraram tema de um ensaio fotográfico iniciado há anos. É parte desse trabalho que Lenain, também diplomata e embaixador da França no Brasil, apresenta na Karla Osório Galeria até 10 de julho. A exposição A ternura do concreto reúne 30 fotos de arquitetura realizadas no Brasil e na Índia na última década.
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Lenain começou a registrar as imagens na Índia, em cidades como Chandigarh e Déli. Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro entraram mais recentemente. "Brasília, claro, é o paraíso quando a gente gosta do concreto e de arquitetura. Fiz fotos de muitos prédios do Niemeyer, mas de outros arquitetos também, como Lelé", avisa o fotógrafo. Nem sempre é possível reconhecer, à primeira vista, o prédio registrado pelo artista.
A preferência pelos detalhes é uma marca do trabalho, o que dá às imagens uma certa leveza e um movimento particular. "O que me interessa não são as fotos de prédios por inteiro, o que eu gosto é do detalhe da arquitetura, quando a luz entra. Eu acho que tem uma doçura nisso, porque essa arquitetura é muito doce e poética, ainda mais no Brasil. Um arquiteto como o Niemeyer pratica a leveza do concreto com formas muito curvas, que se replicam", explica.
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O preto e branco também é uma característica do trabalho. Lenain gosta do lado técnico da produção da imagem, com revelação do filme e ampliação das imagens feitos por ele mesmo em laboratório. "E quando você gosta disso, é um pouco necessário que seja em preto e branco", garante. "E, quando eu vejo uma imagem, eu vejo imediatamente as formas e a geometria da coisa, mais que a cor".
Diversão e Arte
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