Crônica

Vamos com calma 

Vá com calma. É possível aproveitar os quatro (cinco, seis, etc..) dias de festa da melhor maneira possível, esquecer dos perrengues cotidianos, entrar na fantasia, escolher companhias agradáveis e passar ótimos momentos

 Por Cláudio Ferreira—Essa crônica é endereçada a quem não estiver indo para refúgios tradicionais do brasiliense, como Pirenópolis ou a Chapada (dos Veadeiros). O folião que está deixando a cidade por terra ou por ar para curtir o carnaval em outros DDDs ou aquele que vai ficar no quadradinho é o meu destinatário. Você, que está correndo atrás de um adereço, ou que está fuçando as redes sociais atrás de oportunidades de folia. Ou, mais organizado, que já tem tudo planejado, acertado e até pago. 

Vá com calma. É possível aproveitar os quatro (cinco, seis, etc..) dias de festa da melhor maneira possível, esquecer dos perrengues cotidianos, entrar na fantasia, escolher companhias agradáveis e passar ótimos momentos. Tudo isso sem chegar aos extremos – quem falou que a verdadeira diversão só vale se for inconsequente (interrogação)

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O ponto número um é a bebida. Carnaval, é claro, rima com álcool, que ajuda na descontração. Mas o problema é sempre a falta de equilíbrio. Existe o mito de que sem esse combustível, a animação não vem. Posso afirmar o contrário. Minha família é de Recife e, durante muitos anos, fui presença certa no desfile do Galo da Madrugada. Chegava as 7h e saía às 21h, querendo mais (se as pernas deixassem). Nunca precisei de outro combustível que não fosse o carro de som. 

Experimente. Não precisa ser um carnaval a seco, mas também não precisa ser encharcado. De preferência, a bebida deve ser acompanhada de comida (pouca) e de água (muita). E não confie que a atividade física de ir atrás do trio elétrico será suficiente para liberar o álcool. Melhor não deixar ele entrar em excesso. Você vai se lembrar de muito mais coisa no dia seguinte – o que, na maioria das vezes, é muito bom.

Esqueça o carro por alguns dias. Vivemos em uma cidade onde, infelizmente, ele é imprescindível para a maioria da população. Mas no carnaval, sem horários rígidos para os compromissos e com trânsito e estacionamentos mais comprometidos, ele se torna mais uma preocupação. É só uma sugestão — pelo menos uma carona solidária, com três ou quatro pessoas no mesmo carro, já dá um alívio. 

Uma vez na folia, comporte-se bem. Lembre-se da máxima que pede não fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem conosco. Se você for um homem e o outro for uma mulher, o ditado precisa ser destacado em negrito. Há uma linha tênue entre exercitar seus dotes de conquistador e ser uma pessoa desagradável, entre a atração e a importunação.  O carnaval não precisa ser uma competição numérica de beijos, “ficadas” a afins, a não ser com o consentimento explícito da(s) outra(s) parte(s). 

Enfim, divirta-se de maneira saudável, porque a vida continua a partir da Quarta-Feira de Cinzas, ou alguns dias depois, para quem estendeu a folga. O carnaval pode render bons frutos futuros, como inícios de namoro que se desdobram em casamentos duradouros ou amizades para toda a vida. Fique com esse desejo, de que a música e a alegria possam proporcionar brilho para o resto do ano. Boa sorte!

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