A infância do personagem mais importante da luta contra o apartheid na África do Sul é o tema da peça Menino Mandela, em cartaz na Caixa Cultural até domingo (22/3). Com direção de Arlindo Lopes e texto de Ricardo Gomes e Mariana Jaspe, a peça revisita a infância de Nelson Mandela para trazer ao palco uma história que trata de igualdade racial, ancestralidade e comunidade.
Foi lendo uma leva de livros infantis sobre os primeiros anos de vida de Mandela que Lopes teve a ideia de conceber o espetáculo. Depois de dirigir As aventuras do menino iogue, uma adaptação do livro de Antonio Tigre, o diretor saiu em busca de uma história inspiradora com a qual pudesse abordar questões da infância. "Comecei a pesquisar novos livros que pudesse adaptar para o teatro. E comecei a achar muitas publicações sobre a infância do Mandela, já estava no quinto livro e achei muito curioso tantas publicações recentes sobre a infância dele", conta. Depois de ler a autobiografia Longa caminhada para a liberdade, publicada originalmente em 1994 por Nelson Mandela, Lopes decidiu seguir adiante com o projeto.
No palco, a menina Zoe, neta do ativista, revisita a história do avô para um trabalho escolar até que encontra uma fenda no tempo e encontra o próprio Mandela, um menino de 8 anos que vive em uma aldeia sul-africana de 1926. A partir do encontro, a história se desenrola para mostrar episódios da vida do garoto. "A gente conhece a figura do Mandela a partir do que ele representa, da luta e tal, mas eu não sabia da infância dele, que ele julgava como a parte mais feliz da vida", conta Lopes. "No fim da vida, ele decide voltar a viver na aldeia para resgatar essa conexão com a infância. Chamou-me a atenção um homem, no final da vida, retornar para aldeia onde viveu para fazer essa projeção para o passado, resgatar valores."
O espetáculo foi idealizado em 2018, mas estreou apenas em 2024. Ao longo desse tempo, Lopes lamenta, Menino Mandela perdeu 28 editais. "Acho que teve análises errôneas sobre o projeto, pouca visão do que podia impactar. É um projeto que provoca uma discussão saudável", avalia o diretor. Para ele, a mensagem mais importante da peça é a ideia de igualdade racial e de letramento a partir da vivência de um menino preto, em uma aldeia africana, rodeado de ancestrais e de referências identitárias.
Serviço
Menino Mandela
Direção: Arlindo Lopes. Nesta sexta-feira (20/3), no sábado (21/3) e no domingo (22/3), às 15h e às 19h, no Teatro da CAIXA Cultural (SBS, Quadra 4, Lotes ¾). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia), no site Bilheteria Cultural
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