cronica

Piri é logo ali

O Rio das Almas corta a cidade, a maior catedral do interior de Goiás paira, majestosa no centro. A Broadway (Rua do Rosário) está coalhada de bares

Por Laerte Rimoli—Você tá de bobeira num fim de semana? Não perca tempo. Pegue o carro, um ônibus ou mesmo uma carona e zás, tchau monotonia. Depois de 140 km ou uma hora e 50 minutos, com opção de duas belas estradas, o ciclo da vida muda. Prestes a fazer 300 anos, Pirenópolis é tudo de bom. Vamos ao começo: há um caminho pelo Outlet Premium, entrando por Alexânia e passando por Olhos D'Água, depois Corumbá. Se você pegar a Estrutural, siga até Águas Lindas de Goiás, chega em Cocalzinho, logo ali, Piri.

O Rio das Almas corta a cidade, a maior catedral do interior de Goiás paira, majestosa no centro. A Broadway (Rua do Rosário) está coalhada de bares. No alto dela, na Praça do Coreto, há uma feira de artesanato. A Rua Aurora, marcada por palmeiras imperiais, tem cerveja artesanal, cafés charmosos e casas originais, de estilo colonial. Restaurantes para todos os gostos e bolsos. Pensões, idem. No entorno, cachoeiras e mais cachoeiras. Imperdível o "brunch" no Santuário Ecológico Vaga Fogo. Uma degustação de comidinhas preparadas na hora, regadas a geleias feitas com frutos do Cerrado. Prosa maravilhosa do Evandro, da Catarina, do Uirá. Trilha segura, sem sobressaltos, própria para indivíduos que nasceram no século passado ou que sofrem de preguiça (eita coisa boa).

A 20 km do centro, um belo passeio é a bicentenária Fazenda Babilônia. Comida que os tropeiros levavam em suas matulas na busca pelo ouro da região. E, luxo dos luxos, conhecer Telma Lopes Machado. Ela transformou um casarão colonial do século 18, tombado pelo Iphan, em experiência gastronômica histórica. Serve o famoso café sertanejo goiano. No ano passado, conquistou o segundo lugar, com o livro "Telma da Babilônia, Receitas com Memória", na categoria "Women Chefs" do prestigiado "Gourmand World Cookbook Awards".

Ande pelas ruelas charmosas da antiga "Meia Ponte", leve um dedo de prosa com gente simpática e acolhedora. Mas vou contar um segredo. Piri é também boa para desencalhar. Foi lá, há 25 anos, que Márcia Joppert me fisgou e nunca mais nos "larguemo". As araras que cruzam o céu azul em duplas, despejam bênçãos sobre os visitantes. Aquele cantinho do Goiás é, na verdade, um "spa de almas", ao som de seresta e com comida saborosa. Vai, levanta e corre. A vida é aqui e agora.

 

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