Seja ela branca, seja envelhecida, cachaça combina com comida. A bebida, que ganha destaque neste domingo, pode acompanhar diferentes estilos de pratos e revelar novas possibilidades à mesa. Da cozinha brasileira a preparos contemporâneos, a escolha certa do rótulo pode valorizar sabores, aromas e texturas — e transformar a harmonização em parte importante da experiência gastronômica.
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Para Gabriel Bla's, chef responsável pelo Bla's Cozinha Criativa, é importante olhar para o conjunto de sabores e texturas do prato na hora de harmonizar cachaça e comida. "Pratos mais gordurosos podem se beneficiar bastante de uma bebida com acidez e frescor, porque ela ajuda a equilibrar a sensação de gordura na boca", exemplifica o proprietário.
O principal, segundo ele, é buscar equilíbrio, para que a cachaça valorize a comida sem esconder os sabores. Andrey Angelim, chef do Fazenda Churrascada, reforça que a madeira pesa mais do que a marca na hora de combinar o destilado com alguma receita. "Carvalho é discreto e versátil. Madeiras brasileiras, como umburana e bálsamo, entregam canela e cumarina com força de sobremesa e atropelam um prato salgado e delicado", ensina.
Para quem está começando a experimentar o destilado, a dica de Oswaldo Scafuto, proprietário do Santé, é uma combinação leve e refrescante, "que permita conhecer a bebida sem que ela se torne muito intensa". "Uma caipirinha clássica, feita com uma boa cachaça branca, limão e açúcar na medida certa, é uma excelente porta de entrada. O mais importante é começar com uma combinação que agrade o paladar e, aos poucos, descobrir outros estilos", sugere.
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Às vésperas do Dia Nacional da Cachaça, em 13 de setembro, descubra combinações que mostram como o destilado brasileiro pode ocupar um lugar de destaque também na gastronomia.
Combinação criativa
"No Santé, gostamos de pensar na harmonização como uma experiência de equilíbrio, e não como uma regra rígida", define o proprietário Oswaldo Scafuto. A casa, com unidades na Asa Norte e Lago Sul, oferece ao público brasiliense um cardápio contemporâneo, com referências de diversas culinárias do mundo, incluindo cortes especiais e sobremesas para os mais diferentes paladares. A carta de drinques com clássicos da coquetelaria complementam a experiência.
Segundo Scafuto, o nhoque di mare (R$ 116), com camarões salteados na manteiga de ervas, harmoniza bem com a caipirinha de limão ou com o drinque que leva cachaça, limão Siciliano e ervas. As bebidas variam entre R$ 25,90 e R$ 32,90, a depender do destilado utilizado. "A acidez limpa a cremosidade do molho, enquanto as notas herbais acompanham o manjericão e a manteiga de ervas", avalia o proprietário.
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A mandioca do nhoque, ainda de acordo com Scafuto, cria uma conexão interessante com "a identidade brasileira da cachaça". "A bebida não deve se sobrepor à comida, nem o contrário. O ideal é que uma valorize as características da outra, criando uma combinação agradável e surpreendente para o cliente", pontua o proprietário do Santé.
Boteco brasileiro
Um dos botecos mais populares de Brasília, o Caju Limão surgiu com a proposta de valorizar sabores e ingredientes nacionais. Em um ambiente descontraído, o bar oferece ao público pratos de identidade brasileira com a assinatura da casa. O Brasil não só se faz presente no menu do restaurante, como também na carta de drinques, com destaque especial para a cachaça.
Segundo o sócio Rafael Lago, uma união que representa muito bem o caju limão é a barriga à pururuca (R$ 34,90) com o Caju cajá (R$ 29,90), à base de cachaça, caju, fatias de tangerina, shrub de caju e licor de cajá. "É uma bebida autêntica, refrescante e com identidade muito brasileira", define o proprietário. "A gordura e a crocância da barriga combinam muito bem com a acidez e o frescor de um drinque à base de cachaça", acrescenta.
A autoral Cachaça Caju Limão Ouro é, inclusive, um dos destaques da casa. "É uma cachaça envelhecida, com receita desenvolvida especialmente para nós, pela Destilaria Capoeira, do interior de Goiás", conta Rafael. Ainda de acordo com o sócio, a bebida reforça a proposta da casa de valorizar produtos e produtores brasileiros e está disponível para venda, por R$ 119,90.
Almoço de sábado
Um ambiente aberto e agradável, com localização estratégica, onde as pessoas pudessem se conectar ao sair do trabalho. Na EPTG, o Deck Bar Brasília chama atenção por unir a tradicional música ao vivo à famosa comida de boteco, além de uma extensa carta de drinques, que tem como destaque as clássicas caipirinhas.
O coquetel, no sabor caju limão (entre R$ 26,90 e R$ 29,90), é ideal para acompanhar a feijoada, servida aos sábados e domingos, das 12h às 16h, por R$ 49,90. No happy hour, a bebida sai pela metade do preço e harmoniza bem com a panceta ao molho barbecue (R$ 59,90) e o torresmo (R$ 34,90).
