Indústria

CNI: 80% das indústrias inovaram na pandemia, aumentando lucro e produtividade

Pesquisa foi realizada pela Confederação Nacional da Indústria com 500 grandes e médias empresas industriais. Somente 13% dos empresários declararam não ter inovado durante a pandemia e apenas 37% dos entrevistados afirmam possuir orçamento reservado para inovação

João Vitor Tavarez*
postado em 19/10/2021 00:01
 (crédito: CNI/José Paulo Lacerda)
(crédito: CNI/José Paulo Lacerda)

Cerca de 80% das empresas industriais de médio e grande porte conseguiram aumentar o lucro, a competitividade e a produtividade por meio da inovação, em 2020 e 2021, período marcado pela pandemia de coronavírus. É o que mostra pesquisa inédita da Confederação da Indústria (CNI), a ser divulgada nesta terça-feira (19/10) e adiantada ao Correio

A análise — realizada pela FBS Pesquisa — mostra que 8 em cada 10 empresas ouvidas registram ganhos nesses três aspectos e, inclusive, nos resultados financeiros decorrentes de inovações. Segundo os resultados, 5% das empresas tiveram apenas dois ganhos e 2% apenas um ganho. Somente 13% dos empresários declararam não ter inovado durante a pandemia. Além disso, a pesquisa aponta que 63% de todas as empresas consultadas não têm orçamento reservado para inovação; e 65% não dispõem de funcionários dedicados exclusivamente para inovar.

“Diante do surgimento de pandemias assustadoras, como a da covid-19, e da persistência de crônicos obstáculos ao crescimento econômico e à melhora das condições de vida da população, estimular o espírito inovador é primordial para avançarmos”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, ao comentar que investimento em inovação é o caminho para aquecer a economia do país.

Conforme a CNI, as principais dificuldades para empresas inovarem durante a pandemia dividem-se em: acessar recursos financeiros de fontes externas (19%); instabilidade do cenário externo (8%); a contratação de profissionais (7%); falta de mão de obra qualificada (8%) e o orçamento da empresa (6%).

Os dados ainda mostram que uma em cada quatro empresas mantém algum programa ou estratégia de inovação aberta, “sendo que se avaliadas somente as grandes indústrias, o índice chega a uma em cada três”.

Os executivos afirmaram ainda que a relação com o cliente e os processos são os itens mais prioritários para a empresa inovar no pós-pandemia, cada um com 18% de menções.

Prejuízos

Da amostra de 500 empresas, 79% responderam que foram prejudicadas pela pandemia, e que a maior concentração está localizada na região Nordeste (93%). Outros 58% das indústrias afirmam que a categoria de fornecedores foi a mais afetada, seguida pelo setor de vendas (40%) e linhas de produção (23%). Todavia, 20% dos empresários afirmaram serem pouco ou nada impactados pela crise sanitária. Ao todo, 55% das empresas declararam aumento no faturamento bruto.

“Inovação é fundamental nesse processo de recuperação das empresas e para retomada da economia. Quem não inovar não irá acompanhar essa evolução da indústria e se tornar competitivo e mais produtivo”, destacou a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio.

Em relação ao futuro no pós-pandemia, 84% das grandes e médias empresas afirmam que terão que investir em inovação para impulsionar o crescimento no mercado. Já nas médias empresas, 85% responderam que precisam inovar mais; e 80% das grandes companhias disseram o mesmo.

Futuro

Para os próximos três anos as empresas consideram o seguinte: ampliar o volume de vendas (49%), produzir com menos custos (49%), produzir com mais eficiência (41%), ampliar o volume de produção (34%) e fabricar novos produtos (27%). “Para isso, entre os setores que as indústrias consideram mais importante inovar estão o de relação com o consumidor (36%), setor de processos (35%) e de produção (31%)”, diz o relatório da pesquisa.

O Instituto FSB Pesquisa entrevistou 500 executivos de empresas industriais de médio e grande porte, “compondo amostra proporcional em relação ao quantitativo total de empresas industriais desses portes em todos os estados brasileiros”. A coleta de informações ocorreu entre 1 e 23 de setembro.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2021/10/4953271-inovacao-aberta-5-0.html

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