Caso Itapemirim

Caso Itapemirim: credores cobram dívida de US$ 16 milhões

Titulares dos créditos querem o afastamento do presidente do grupo, Sidnei Piva

Tainá Andrade
postado em 20/12/2021 06:00
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Credores de uma antiga dívida judicial do grupo Itapemirim alimentam a esperança de que, com a repercussão do cancelamento dos voos da empresa aérea, na última sexta-feira, a Justiça olhe com mais atenção para o caso. São três grupos que brigam para receber cerca de US$ 16 milhões a que têm direito: o de credores externos — que inclui o Banco Mercantil do Brasil, o China Construction Bank (CCB), maior banco público chinês, a Raízen, fornecedor de combustíveis e mais 40 empresas: os credores sem garantia — o maior de todos, que abarca outros bancos e todos os tipos de fornecedores; e o de ex-funcionários da Itapemirim. A dívida é relacionada especificamente à empresa de ônibus, que está em recuperação judicial.

John Schulz, sócio da Queluz Asset Management e representante dos credores externos nas negociações, explicou que, em 2006, a Itapemirim emitiu um bond (papel de dívida) no valor de US$ 45 milhões. Parte do montante foi amortizado, mas, em 2016, ainda havia US$ 16 milhões para serem quitados. O problema, afirma Schulz, é que, desde que Sidnei Piva assumiu o comando do grupo, em 2019, os credores enfrentam dificuldade para receber a dívida.

"Teve uma assembléia-geral, em maio de 2019, na qual os credores deram condições favoráveis à Itapemirim para pagar as dívidas. No caso do grupo de externos, o combinado foi que venderiam duas propriedades e entregariam o valor da venda em seguida. As propriedades foram vendidas, mas o dinheiro não foi distribuído aos credores. Isso representa o descumprimento de um acordo judicial e, no nosso entendimento, é uma situação completamente irregular", afirmou.

Para quatro mil ex-funcionários, o grupo deve R$ 40 milhões em processos trabalhistas. Paulo Adame, presidente da Associação de Ex-funcionários e Credores do Grupo Itapemirim, comentou que, desde que a companhia de ônibus entrou em recuperação judicial, o pagamento de rescisões e do FGTS mensal parou. "Assim como os funcionários, acho pouco provável que os fornecedores recebam o que lhes é devido de forma amigável. É provável que a empresa aérea seja incorporada na recuperação judicial, pois foi de lá que veio o dinheiro para criar esta aérea", declarou.

Os credores avaliam que apenas retirando Piva da gestão das empresas é que haverá alguma chance de pagamento das dívidas. Em 2019, com o descumprimento do acordo, John enviou à Justiça um pedido de afastamento do presidente da Itapemirim, o que foi negado. Ele espera que agora a ação seja reconsiderada.

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