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DF tem pelo menos 18 mil pequenos produtores no setor agro

Os dados mais recentes da Emater apontam que a agropecuária local chegou a crescer 23%. Em entrevista ao Correio, nesta sexta-feira (11/2), a presidente da entidade, Denise Fonseca, falou sobre a importância dos pequenos produtores e sobre o cenário agrícola regional

Maria Eduarda Angeli*
postado em 11/02/2022 16:32 / atualizado em 11/02/2022 16:32
 (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

No Brasil, o agronegócio chega a contribuir com 30% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Os dados mais recentes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) mostram que as produções agrícola e pecuária locais cresceram 23% entre 2019 e 2020, quando o resultado foi de R$ 3,577 bilhões.

O CB.Agro desta sexta-feira (11/2) recebeu a presidente da Emater-DF, Denise Fonseca — primeira mulher a ocupar o cargo em 44 anos. A especialista abordou, na entrevista, o papel da Emater, a importância dos pequenos produtores e o cenário agrícola regional. O programa é uma parceria entre o Correio e a TV Brasília.

“O agro foi o setor que menos sofreu os problemas da pandemia, porque os agricultores tiveram que se reinventar para que não houvesse desabastecimento”, afirmou Denise. Ela contou que o uso de tecnologia e de recursos digitais ajudou a área rural a se manter em contato com os consumidores e com sua rede de apoio durante os períodos de restrição e de atividade reduzida.

Parte significativa do bom desempenho do setor se deve à atuação de pequenos produtores: são pelo menos 18 mil atendidos pela Emater na capital. Segundo Denise Fonseca, essa parcela é “tão importante que eles representam 70% da produção do Distrito Federal. Em 2021, nós fizemos 13 mil visitas lá na propriedade, fazenda, ou via on-line, fazendo a nossa assistência técnica e extensão rural. Mostrando para ele [produtor]: ‘Olha, você pode produzir mais em menor espaço’, e mostrando todas as técnicas”. Nesta semana, a empresa lançou um aplicativo para facilitar os atendimentos.

Ainda de acordo com a especialista, geralmente são os produtores que têm a iniciativa de procurar o auxílio da Emater, mas o contrário pode acontecer. “A gente também faz essa busca ativa de estar sempre chamando mais pessoas para conhecer o trabalho da Emater e produzir emprego e renda”, explicou.

Atuação

Ela afirmou ainda que o papel principal da entidade que preside é dar o suporte necessário para que os produtores possam se desenvolver, além de facilitar a vida dessa população. “Somos nós que organizamos os produtores para eles terem uma cooperativa para poderem participar do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar), do Papa (Programa de Aquisição da Produção da Agricultura), todos esses programas e outros. Nós somos a base de tudo isso”, comentou.

Outra área de atuação da empresa é o incentivo às mulheres das áreas rurais, para que elas participem tanto da produção primária quanto dos desdobramentos, sendo incluídas no agronegócio. Primeira mulher presidente da Emater-DF em 44 anos, Denise pontuou que "os problemas [em relação ao empoderamento feminino] são ainda maiores no campo do que os da cidade”. A capacitação dessas mulheres é feita por meio de cursos ministrados em centros de treinamento.

Desafios

A entrevistada destacou que o maior desafio enfrentado no momento e durante o período pandêmico é o escoamento da produção, mas que, ainda assim, o produtor “está bem”. "Ele tem conseguido vender o seu produto. Às vezes, nós temos alguma dificuldade com o turismo ou, às vezes, com artesanato, mas o produtor em si está vendendo bem — inclusive, aumentou a inflação. Então, para eles, aumentou também um pouco”, justificou.

Para a presidente, parte do sucesso é decorrente das linhas de crédito rural disponibilizadas pela entidade. Em 2021, foram R$ 10,2 milhões aprovados nessa modalidade, um aumento de quase 20% em relação a 2020.

“Uma grande luta da Emater é que a grande parte do dinheiro não fique com o atravessador, e sim com o produtor, que foi quem passou por tudo”, completou.

Confira a entrevista em formato podcast:

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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