E-commerce

Importações por meio de plataformas on-line recuam 23% em 2023

O levantamento foi conduzido pela Vixtra, com base em dados do Banco Central, e aponta as principais razões para a mudança no comportamento do consumidor brasileiro

Essa categoria é formada de produtos comprados em plataformas de comércio eletrônico, incluindo sites chineses como Shopee, Aliexpress e Shein -  (crédito: Paula Borges/ Arquivo pessoal)
Essa categoria é formada de produtos comprados em plataformas de comércio eletrônico, incluindo sites chineses como Shopee, Aliexpress e Shein - (crédito: Paula Borges/ Arquivo pessoal)
postado em 10/02/2024 11:01 / atualizado em 20/02/2024 14:26

As importações de produtos de pequeno valor alcançaram o total de US$ 10 bilhões em 2023. Essa categoria é formada de produtos comprados em plataformas de comércio eletrônico, incluindo sites como Shopee, Aliexpress e Shein. Entretanto, apesar do número, as importações no segmento contaram com um recuo de 23% em relação a 2022, quando o valor total atingido foi de US$ 13,1 bilhões.

O levantamento foi realizado pela Vixtra, fintech de comércio exterior, com base em informações fornecidas pelo Banco Central. Os dados trouxeram um resumo anual do cenário de importações e destacando a influência das regras tributárias no comportamento do consumidor.

A pesquisa revela que, no último trimestre de 2023, mesmo com a presença de datas especiais como Black Friday e Natal, houve uma redução de 48% no montante de importações em comparação ao período equivalente no ano anterior. O mês de dezembro se destacou ao registrar uma queda substancial, fechando com US$ 816 milhões, contra US$ 1.625 atingidos em 2022.

Contudo, é importante ressaltar que o fenômeno em questão não se limitou aos últimos meses de 2023. O ano foi marcado por fortes oscilações na modalidade de pequenos valores. Leonardo Baltieri, co-CEO da Vixtra, avalia que as baixas estão atribuídas, sobretudo, à taxação determinada pela Receita Federal, assunto que causou inquietações na internet durante meses.

“Quando o governo anunciou estar considerando o fim da isenção de impostos para encomendas de até US$ 50, instaurou-se um ambiente de forte insegurança em meio à possibilidade de tributação, resultando na diminuição dessas aquisições. Depois disso, a decisão foi revogada, o que fez as importações crescerem novamente”, diz Baltieri.

Segundo o Co-CEO da Vixtra, no segundo semestre, quando foi declarada a implementação do programa Remessa Conforme — um programa da Receita Federal que isenta a importação de mercadorias de até US$ 50 (cerca de R$ 247 na cotação de janeiro de 2024) para compras feitas em marketplaces inscritos no programa —, ocasionou um dos períodos de flutuações.

“Apesar das compras abaixo de U$S 50 ainda terem o imposto zerado, a nova regra impõe 17% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para todas as mercadorias, aumentando o custo final. E para os produtos acima desse preço, a alíquota adicional de 60% junto ao ICMS implica em valores quase dobrados. Diante desses fatores, o consumidor passou a questionar a viabilidade de comprar em plataformas internacionais, que antes eram mais acessíveis”, esclarece o executivo.

Importações do ano

De acordo com o levantamento, no panorama anual, as importações começaram a oscilar ainda no primeiro trimestre de 2023, por conta da baixa sazonalidade comum nos dois primeiros meses do ano, quando os consumidores tendem a desacelerar as compras. Apesar disso, naquele período, o cenário ainda era positivo, com uma elevação de aproximadamente 11% frente ao ano anterior e com o total de US$ 2,5 bi atingidos.

Entretanto, a partir de abril, os números registraram uma diminuição expressiva, com baixa de 25% em relação a março, e de 20% referente à abril do ano prévio. Já nos dois meses seguintes, os valores tornaram a crescer, totalizando US$ 2,6 bilhões no segundo trimestre, mas ainda abaixo do patamar alcançado em 2022. Em seguida, o valor importado voltou a flutuar no terceiro trimestre, fechando com US$ 2,5 bilhões, e seguindo em queda no quarto trimestre, que obteve o total de US$ 2,4 bilhões, com recuo de 48% em relação a 2022.

“Podemos observar uma queda mais acentuada nos meses subsequentes ao início da vigência do programa de conformidade tributária. As compras começaram a chegar no Brasil e relatos sobre os encargos adicionais e a complexidade da nova conjuntura ganharam força na internet, causando uma preocupação generalizada entre as pessoas”, afirma Baltieri.

Expectativas para 2024

Segundo Baltieri, em 2024, a expectativa é que as importações de pequeno valor possam crescer novamente. “À medida que as regras ficam mais claras, ajudando o consumidor a ter mais segurança e previsibilidade quanto aos valores finais, sem surpresas que possam atrapalhar seu planejamento financeiro”, esclarece o co-CEO.

“É fundamental destacar que as plataformas internacionais influenciam positivamente o poder de compra dos brasileiros, oferecendo opções acessíveis e diversificadas. Essa variedade não apenas atende às diferentes necessidades e preferências do público, mas também desempenha um papel crucial na manutenção de preços competitivos no mercado”, conclui.

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