CB Debate

Especialistas refletem sobre caminhos para crescer com justiça social

Seminário Desafios 2026, realizado pelo Correio, no dia 10, prevê a discussão de formas para a economia avançar reduzindo desigualdades a longo prazo

As discussões sobre crescimento econômico com justiça social avançam em meio a diagnósticos que apontam a necessidade de políticas públicas mais efetivas, de acordo com especialistas.

O cientista social Luciano Gomes dos Santos, ressalta que "políticas públicas só conseguem distribuir resultados econômicos de maneira equilibrada quando combinam ações imediatas e estratégias estruturantes". Professor do Centro Universitário Arnaldo Janssen (UniArnaldo), ele lembra que programas de distribuição de renda, acesso à saúde e educação infantil reduzem desigualdades imediatas, mas investimentos em infraestrutura, qualificação e apoio a pequenos negócios é que ampliam oportunidades duradouras e ajudam a diminuir o fosso entre os mais ricos e os mais pobres de forma mais duradoura.

Contudo, o pesquisador reconhece que o financiamento dessas políticas depende de mudanças no sistema tributário. "Os governos precisam de um sistema mais progressivo e eficiente, capaz de combater a evasão fiscal e distribuir melhor o peso dos impostos", defende. Ele adiciona outro ponto que considera essencial: a adoção de políticas ativas de emprego, que conectem trabalhadores a vagas e ofereçam requalificação.

Em relação às desigualdades estruturais, o professor afirma que instrumentos fiscais e de crédito podem estimular a inclusão sem limitar a expansão produtiva. "É essencial combinar políticas fiscais progressivas, investimentos em infraestrutura social e ampliação do acesso a recursos produtivos como crédito, tecnologia e qualificação profissional. Isso é importante porque a desigualdade na região é estrutural e exige ações sobre múltiplas frentes, desde o mercado de trabalho até o sistema tributário", afirma.

Decisões do governo mais estratégicas sobre investimentos moldam diretamente o acesso da população às oportunidades econômicas e essas escolhas impactam, de forma direta, grupos mais vulneráveis e regiões com baixo dinamismo produtivo, na avaliação de Santos. Ele lembra que, conforme dados do Banco Mundial, investimentos direcionados à conectividade, à infraestrutura urbana, aos serviços públicos e à inovação ampliam a capacidade de as pessoas acessarem empregos melhores. Ele destaca que essas escolhas impactam de forma direta grupos mais vulneráveis e regiões com baixo dinamismo produtivo.

O professor ainda reforça que modelos de desenvolvimento que articulam inclusão e produtividade são aqueles que unem políticas industriais, inovação e ações voltadas a trabalhadores e segmentos historicamente marginalizados.

Prioridades

A definição de prioridades em políticas de justiça social envolve a convergência de interesses do Estado, do setor privado e da sociedade civil organizada, destaca o economista Maurício F. Bento, professor de economia internacional na Hayek Global College. E, para isso, é importante embasamento em estudos de organismos multilaterais que destacam educação, inovação e sistemas tributários progressivos como bases para equilibrar competitividade e redução de desigualdades.

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De acordo com Bento, políticas sociais focalizadas e políticas econômicas horizontais podem caminhar juntas, porque as horizontais melhoram as condições gerais para os negócios, enquanto políticas sociais focalizadas levam recursos a quem mais precisa com custos controlados. Além disso, ele enfatiza o papel dos investimentos públicos como catalisadores de inclusão econômica, além de elevar a qualidade da mão de obra e aumentar a produtividade. "Os modelos de desenvolvimento eficazes dependem de clareza institucional. O Estado precisa garantir segurança, justiça e serviços básicos, enquanto empresas e sociedade devem ter liberdade para empreender, investir e inovar", defende.

Esses temas estarão incluídos no Seminário CB Debate Desafios 2026: o protagonismo do Brasil no cenário mundial, que será realizado pelo Correio, dia 10, a partir das 8h30, na sede do jornal. A programação inclui, por exemplo, o painel Caminhos para um desenvolvimento econômico com justiça social. O evento contará com transmissão ao vivo nas redes sociais do Correio.

*Estagiário sob a supervisão de Rosana Hessel

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