CB.Agro

'O Brasil consome leite importado sem necessidade', diz presidente da associação de produtores

Geraldo Borges, presidente da Abraleite, conversou com o Correio sobre o momento de dificuldade enfrentado atualmente pelo setor

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, comentou nesta sexta-feira (16/1) sobre a situação do setor lácteo no país, no CB.Agro — programa do Correio em parceria com a TV Brasília. Segundo ele, o momento atual é desafiador, muito por conta do leite importado. 

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Em conversa com os jornalistas Samanta Sallum e Roberto Fonseca, o dirigente ressaltou que o Brasil já havia enfrentado dificuldades geradas por um excesso de importação de lácteos do Mercosul no passado e que a crise no setor é cíclica.

“Esse excesso vem sendo observado desde 2022, com recordes muito acima da média histórica de importação, que fica na casa de 1%, no máximo 3%. Nesse período, chegamos a ter até 12% do que é consumido no Brasil sendo produto importado, e sem necessidade”, afirmou. "O Brasil consome leite importado sem necessidade", emendou.

De acordo com Borges, os dois principais exportadores de produtos lácteos para o Brasil são a Argentina e o Uruguai. “Esses países têm um custo de produção menor. A Argentina, principalmente, pois possui subsídios que os nossos produtores nacionais não têm. Acaba sendo uma competição realmente desleal”, criticou. 

O presidente da Abraleite explicou, ainda, que o setor levou reclamações sobre concorrência desleal no comércio internavional para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, mas ponderou que essas investigações levam tempo, o qual, segundo ele, o setor não dispõe. 

“Precisamos de uma medida imediata que possa sanar esse problema, como reduzir essa importação volumosa e predatória. Trata-se de um setor gigantesco no Brasil, com mais de 1.171.000 produtoras, desde a agricultura familiar até o grande produtor, e todos estão afetados. Também padecem as cooperativas e laticínios menores (quase 2.000 estabelecimentos), que não participam dessas importações”, alertou.

Assista à entrevista na íntegra:

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro 

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html

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