CONJUNTURA

Prévia do PIB avança além do esperado pelo mercado

Índice de Atividade do BC surpreende com alta de 0,7%, em novembro, e reforça apostas de juros estáveis no primeiro Copom do ano

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, registrou alta de 0,7%, em novembro, na comparação com o mês anterior. Essa foi a primeira alta mensal do indicador em três meses, já que a última elevação havia ocorrido em agosto, quando o índice avançou 0,4%.

Conforme os dados divulgados, ontem, pelo Banco Central (BC), o indicador também apresentou avanço de 0,2% no trimestre encerrado em novembro. Na comparação com o mesmo mês de 2024, a prévia do PIB cresceu 1,2%, sem ajuste sazonal. No acumulado em 12 meses, o crescimento foi de 2,4%.

O resultado do IBC-Br de novembro surpreendeu o mercado ao ficar quase o dobro do esperado pelos analistas, de 0,4%, apesar de a política monetária seguir contracionista com a taxa básica da economia (Selic) estável em 15% ao ano desde junho de 2025. Com essa atividade acima do esperado, economistas descartam a possibilidade de um corte nos juros na primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) nos próximos dias 27 e 28.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o desempenho do indicador do BC é um "sinal claro de que a atividade econômica apresenta sinais de tração mais sólidos do que as leituras anteriores indicavam, mesmo que ainda seja cedo para afirmar que há um crescimento sustentável forte da economia brasileira".

Em novembro, o desempenho setorial foi marcado por retração na agropecuária, que recuou 0,3%, enquanto a indústria avançou 0,8% e o setor de serviços registrou crescimento de 0,6%. "O resultado do setor industrial pode ser atribuído à correção das quedas observadas nos dois meses anteriores. Foram sete quedas nas 11 divulgações do IBC-Br em 2025, com o setor ainda enfrentando dificuldades advindas do cenário de uma demanda enfraquecida e menor propensão à gastos com bens industriais de maior valor agregado", observou o economista do PicPay, Matheus Pizzani.

A desaceleração da atividade econômica ao longo de 2025 já era amplamente esperada, em razão do patamar elevado da taxa de juros. No entanto, Pizzani avaliou que o bom resultado do IBC-Br afastou a possibilidade de estagnação do PIB no último trimestre do ano. "Outro debate importante que pode ser traçado a partir deste dado diz respeito à política monetária", destacou.

"Quando somado aos dados sólidos do mercado de trabalho, a sinalização positiva advinda do nível de atividade sugere a possibilidade de manutenção do hiato do produto no campo positivo por tempo adicional, criando um ambiente propício para o início do ciclo de queda dos juros apenas em março, além de reduzir a importância relativa do debate sobre o início deste processo e sinalizar maior importância sobre a discussão de sua magnitude", acrescentou o analista do PicPay.

A projeção do BC para a expansão da economia brasileira em 2025 é de 2,3%, conforme o mais recente Relatório de Política Monetária (RPM), que substituiu o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A estimativa é menor do que a projeção mais recente do Ministério da Fazenda, que é de 2,2%, segundo o mais recente Boletim Macro Fiscal.

O IBC-Br tem metodologia de cálculo distinta das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC, de frequência mensal, permite acompanhamento mais frequente da evolução da atividade econômica, ao passo que o PIB de frequência trimestral descreve um quadro mais abrangente da economia.

pacifico - retomada pib 2026

Mercados

O dólar comercial fechou, ontem, em alta de 0,08%, cotado a R$ 5,372 para a venda, após máxima de R$ 5,3951 e R$ 5,365, ambas pela manhã. O índice DXY, que mede a divisa norte-americana contra seis pares fortes, avançou 0,05%.

"O dólar opera misto em relação às moedas no mundo nesta sexta. Oscilou entre momentos melhores e piores, porém o real até que se comporta bem em relação a pares", explicou o gestor de macro e renda fixa da AZ Quest, Eduardo Aun, mencionando o dólar australiano e o peso colombiano tendo performances inferiores.

Como fator que justificaria essa melhora do real está o grande diferencial entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos. "O IBC-Br mostrou atividade mais forte do que o esperado e aceleração no dado, então muitas casas reviram o PIB do quarto trimestre para cima. É mais lenha na fogueira para o BC não cortar juro na reunião de janeiro, e há também dúvidas sobre o tamanho do corte", afirmou Aun, acrescentando que uma Selic mais alta é benéfica para o real, embora, a seu ver, o desempenho do câmbio desta sexta não tenha chamado tanta atenção.

Após duas sessões no nível recorde de 165 mil pontos, tendo chegado, na quinta-feira, pela primeira vez ao longo do dia aos 166 mil, o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), deu uma pausa para consolidação, realizando lucros. A B3 recuou 0,46%, ontem, para 164.799 pontos, mas ainda acumulou ganho de 0,88% na semana.

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No exterior, a semana foi marcada por acentuada volatilidade nos preços do petróleo. A commodity tem oscilado ao sabor das incertezas e tensões em torno do futuro do regime dos aiatolás no Irã. A instabilidade política resultou em violenta repressão a manifestantes, com mais de 2,4 mil mortos, segundo relatos de organizações que acompanham a situação no país. Em Nova York, o Índice Dow Jones recuou 0,17%, e o Nasdaq caiu 0,06%, refletindo as incertezas no mercado externo. (Com Agência Estado)

 


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