O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, ontem, uma rodada concentrada de depoimentos no inquérito que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, em uma fase considerada decisiva para o andamento das apurações. As oitivas, autorizadas pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso, reuniram dirigentes do Master, do Banco de Brasília (BRB) e de empresas suspeitas de ligação com as denúncias. A etapa é conduzida com apoio da Polícia Federal e ocorre de forma presencial e por videoconferência.
- Ato na Rodoviária protesta contra Ibaneis e caso BRB-Banco Master
- Ibaneis nega tratativas com Vorcaro sobre compra do Banco Master
Inicialmente, os investigadores pretendiam distribuir os depoimentos ao longo da última semana de janeiro e da primeira de fevereiro. O cronograma, porém, foi alterado após a ordem do ministro Dias Toffoli para concentrar as oitivas em dois dias consecutivos no Tribunal.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Ao todo, oito executivos e empresários foram convocados a prestar esclarecimentos. Parte dos depoimentos está sendo colhida na sede do STF, em Brasília, enquanto outros depõem remotamente. A diversidade de cargos e instituições envolvidas indica que a investigação busca esclarecer a estrutura financeira e operacional das transações sob suspeita, além de mapear a responsabilidade de cada agente nas decisões que resultaram nas operações analisadas.
O primeiro a prestar depoimento, nesta segunda-feira, foi Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB. Ele respondeu às perguntas dos investigadores, mas o conteúdo do depoimento não foi divulgado em razão do sigilo processual.
Na sequência, estavam previstos os depoimentos de empresários ligados ao conglomerado do Banco Master e de executivos da instituição. Entre eles, Alberto Felix de Oliveira, superintendente executivo de Tesouraria do Master, que optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional de não produzir prova contra si.
Hoje, estão previstos os depoimentos de Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB, e Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos e Tecnologia do Master, além de sócios e ex-sócios da instituição.
Cronograma mantido
A concentração das oitivas em dois dias ocorreu após Toffoli reduzir o prazo inicialmente solicitado pela Polícia Federal. A decisão gerou ruídos na relação entre o ministro e a corporação, mas manteve o cronograma sob supervisão direta do gabinete do relator. A perícia do material apreendido na fase mais recente da Operação Compliance Zero está a cargo da Procuradoria-Geral da República (PGR), com acompanhamento de peritos da PF indicados por Toffoli. A corporação tem até 60 dias para apresentar o relatório final. (Com Agência Brasil)
Saiba Mais
