
Manifestantes realizaram, nesta segunda-feira (26/1), um protesto na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em razão do caso envolvendo o Banco Master e a atuação do Banco de Brasília (BRB). O ato foi organizado por coletivos e entidades como Coletivo Para Todos, Kizomba, Fogo no Pavio, União Brasileira das/dos Estudantes Secundaristas (Ubes), União Nacional dos Estudantes (Une).
No panfleto divulgado pelos organizadores, o grupo acusa o governo de priorizar interesses privados em detrimento de serviços públicos essenciais. Segundo o material, “enquanto o povo sofre com hospitais lotados, escolas abandonadas, ônibus superlotados e despejos, o Governo Ibaneis usa dinheiro público para salvar banco privado”. Os manifestantes também afirmam que o BRB, banco público do DF, “foi colocado a serviço de banqueiros aliados do governo”.
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O texto critica a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, que teria sido conduzida de forma acelerada. De acordo com o panfleto, “Ibaneis tentou impor, às pressas, a compra do Banco Master, envolvido em escândalos de corrupção e investigação por associação criminosa”, operação que acabou barrada pelo Banco Central. Ainda assim, os organizadores afirmam que o governo teria utilizado o BRB para “injetar cerca de R$ 12 bilhões em um banco quebrado”.
Os manifestantes também relacionam o impacto financeiro da operação a prejuízos na área social. “O rombo já chega a R$ 4 bilhões”, diz o texto, que associa esse valor à falta de investimentos em saúde e educação. Segundo o material distribuído no ato, “esses R$ 4 bilhões não são apenas números, eles significam hospitais que não foram construídos, cirurgias represadas, filas intermináveis, postos de saúde sem médicos e escolas sucateadas”.
Indignação
Professor aposentado e integrante do Coletivo DF, José Loureiro, 69 anos, afirmou que a mobilização desta segunda-feira é resultado de uma insatisfação que se acumula desde o ano passado, quando veio à tona a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo ele, a operação foi “um negócio temerário, defendido de forma insistente pelo governador Ibaneis Rocha, sem o devido debate público”. “A Câmara Legislativa ficou praticamente de joelho, não teve nenhuma posição”, criticou.
Integrante do coletivo Kizomba e do movimento de juventude, Beatriz Nobre, de 21, destacou que o principal objetivo do ato é denunciar à população o que classificou como um “escândalo”. Beatriz ressaltou ainda que, além do governador e da vice-governadora, deputados distritais também devem ser responsabilizados. “Não é apenas o Ibaneis e a Celina Leão que estão envolvidos, mas também os deputados distritais que votaram pela compra do Banco Master pelo BRB. Esse patrimônio poderia ter sido destinado para escolas, hospitais e transporte público”, afirmou.
Pedro Oliveira, de 25 anos, integrante da Juventude do Fogo no Pavio, afirmou que o protesto reúne diferentes organizações para denunciar o que considera uma inversão de prioridades do atual governo. “É inadmissível continuar com um governo que tira da saúde, tira da educação e da moradia popular, enquanto o povo está padecendo no Distrito Federal”, declarou. Segundo ele, recursos públicos estariam sendo usados para favorecer interesses privados.
A equipe de reportagem do Correio procurou posicionamento do Governo do Distrito Federal, que preferiu não se manifestar.

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