Eleições 2026

Haddad diz que não há data para deixar o Ministério da Fazenda

Ministro evitou antecipar discussões sobre sucessão durante evento do BTG nesta terça-feira (10/2)

Durante o encontro com empresários e investidores, o ministro defendeu que o país discuta uma reorganização dos gastos sociais -  (crédito:  Ed Alves CB/DA Press)
Durante o encontro com empresários e investidores, o ministro defendeu que o país discuta uma reorganização dos gastos sociais - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a afirmar, nesta terça-feira (10/2), que não há uma data definida para sua saída do comando da pasta e evitou antecipar discussões sobre sucessão. A declaração foi dada durante participação no CEO Conference Brasil 2026, promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo.

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Haddad disse que o evento de hoje poderia marcar uma de suas últimas aparições públicas como ministro, mas revelou que uma conversa recente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou esse cenário. “Eu imaginei que essa fosse ser uma das minhas últimas aparições como ministro da Fazenda, mas ontem eu estive com o presidente Lula num café da manhã, que ainda me pediu algumas coisas na saideira”, afirmou.

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Durante o encontro com empresários e investidores, o ministro defendeu que o país discuta uma reorganização dos gastos sociais, especialmente na área de assistência. Segundo ele, o atual nível de investimento pode permitir um redesenho semelhante ao realizado no início do 1º mandato de Lula, quando programas existentes foram unificados no Bolsa Família. 

O ministro também abordou a situação fiscal e criticou o nível do debate público sobre o tema. Haddad voltou a citar problemas herdados do governo de Jair Bolsonaro, como o não pagamento de precatórios e decisões orçamentárias tomadas antes da transição. Ele lembrou que regras de flexibilização do Benefício de Prestação Continuada (BPC) foram contratadas em 2021 e que o valor de R$ 600 do Auxílio Brasil não foi incluído no Orçamento de 2023.

“É fácil você estar atrás de um computador dizendo o que o ministro da Fazenda tem que fazer. Agora, tem Supremo, tem Congresso, tem Faria Lima, tem mercado, tem setor produtivo, tem Palácio do Planalto, tem muita coisa para gerenciar”, afirmou.

Ao comentar a possibilidade de criação de um programa de renda básica, Haddad afirmou que o país reúne condições para avaliar alternativas. “Eu entendo, olhando para o Orçamento, que talvez o Brasil esteja maduro para uma solução mais criativa. Esse desenho vai ter que ser formulado e validado com os candidatos, com o candidato a presidente do PT. Todo mundo defende a renda básica porque ela parece mais racional, à luz das inúmeras demandas sociais que existem”, declarou.

Sobre o arcabouço fiscal, Haddad disse concordar com parte das preocupações levantadas por agentes do mercado financeiro quanto ao funcionamento das regras. “Todo mundo tem razão quando fala que a dinâmica preocupa, porque tem coisas no Orçamento que ainda estão fora do espírito do arcabouço. Eu até tentei fazer essa mudança no final de 2024 com o Congresso, mas é muito difícil convencer as pessoas a mexer no que é considerado tabu”, declarou.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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postado em 10/02/2026 14:54
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