Mercado financeiro

Dólar cai a R$ 5,18 e Ibovespa atinge novo recorde

O movimento da taxa de câmbio acompanhou o mercado internacional de moedas, em mais uma sessão marcada por fluxo de capital para mercados emergentes.

O dólar fechou o dia de ontem com baixa de 0,59%, cotado a R$ 5,18, o menor valor desde 28 de maio de 2024. No acumulado do ano, a divisa registra desvalorização de 5,47%.

O movimento da taxa de câmbio acompanhou o mercado internacional de moedas, em mais uma sessão marcada por fluxo de capital para mercados emergentes.

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O Ibovespa, por sua vez, operou em alta, ontem, e avançou 1,8%, aos 186.241 pontos, atingindo novo recorde.

Na avaliação do consultor de macroeconomia da GO Associados, Rafael Prado, o comportamento de alta do Ibovespa e de queda do dólar ocorre em meio a um ambiente internacional mais favorável aos ativos de risco, com maior direcionamento de recursos para economias emergentes. Sgundo ele, o desempenho dos mercados reflete uma rotação das carteiras globais, com redução da exposição aos Estados Unidos. "Foi um dia positivo para ativos de risco no geral. A gente tem um Ibovespa valorizando bastante e o dólar caindo bem em função desse movimento de rotação para ativos de economias emergentes. Existe também a fuga dos investidores do mercado dos Estados Unidos na composição relativa das carteiras", afirmou.

O consultor destacou que declarações recentes de autoridades chinesas também tiveram impacto sobre os mercados. "Tivemos as falas de autoridades da China incentivando investidores a fugirem das treasuries. Isso repercute negativamente para esses ativos e alimenta o apetite por risco", disse.

Prado explicou que o comportamento da moeda brasileira tem seguido de perto a dinâmica do DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos. "O real, no último ano e também em 2026, tem se comportado muito de acordo com a dinâmica do DXY. Se o DXY cair, a tendência é que o real apresente valorização", afirmou.

Na avaliação do economista, o desempenho recente dos ativos brasileiros também está relacionado ao nível de preços observado no ano passado. "Os ativos brasileiros estavam muito descontados em 2025, o que favoreceu a entrada de capital no mercado doméstico", disse. Segundo ele, esse processo teve continuidade no início de 2026 e deve se manter no curto prazo.

Modelos da GO Associados indicam baixa probabilidade de mudança de regime cambial nas próximas semanas. "A gente rodou um modelo que estima a probabilidade de mudança de regime para a taxa de câmbio e encontramos probabilidades bem baixas", afirmou Prado.

O consultor também citou a perspectiva de flexibilização da política monetária como um fator adicional de suporte aos mercados. "A partir de março, há a perspectiva de corte de juros pelo Banco Central, o que ajuda ainda mais os mercados a rotacionarem para ativos de risco", afirmou.

No mercado acionário, Prado destacou o desempenho das ações de maior peso no índice, as blue chips de bancos e de commodities.

Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

 


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