Política monetária

Galípolo defende meta de inflação de 3% e questiona juros elevados

Presidente do BC volta a falar em "calibragem" da política monetária, defende alinhamento da meta ao padrão internacional e aponta incertezas externas e eleitorais como fatores de cautela

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (11/2) que a meta de inflação de 3% adotada pelo Brasil está alinhada aos parâmetros observados em outras economias. Durante participação na CEO Conference Brasil 2026, organizada pelo BTG Pactual, em São Paulo, ele voltou a destacar que a palavra-chave da política monetária neste momento é “calibragem”.

“A partir de janeiro, decidimos sinalizar que se antevê, em se confirmando o cenário, um início dessa calibragem, desse ajuste. Eu volto aqui a enfatizar que a palavra-chave é essa: calibragem. Esse ajuste da política monetária a partir de março é justamente para podermos reunir mais confiança para iniciar esse ciclo”, disse.

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Fazendo coro às recentes declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Galípolo disse que a questão central é entender por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros tão elevadas para alcançar maior convergência à meta de inflação. Segundo ele, a resposta envolve fatores conjunturais e estruturais.

“O que eu acho que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta. Eu acho que esse é o tema”, ressaltou.

“Por que mesmo com taxas de juros mais elevadas, a gente continua assistindo a essa dificuldade para conseguir produzir a convergência da inflação para a meta e uma economia tão resiliente para uma taxa de juros tão elevada?”, indagou. 

Sinalização ao mercado 

Galípolo ponderou que o mandato do Banco Central não é, propriamente, o de reduzir incertezas no mercado. Ainda assim, avaliou que é positivo quando a instituição contribui para tornar o ambiente econômico mais previsível, oferecendo sinalizações claras ao mercado.

Ele destacou também que o Comitê de Política Monetária (Copom) não se orienta por um único indicador, mas avalia um conjunto amplo de variáveis antes de tomar decisões, evitando reagir de forma isolada a dados pontuais.

O chefe da autoridade monetária acrescentou que, além das incertezas decorrentes do cenário geopolítico internacional e das mudanças na condução da política econômica dos Estados Unidos, o próprio calendário eleitoral no Brasil tende a ampliar a cautela dos agentes econômicos.

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