CÂMBIO

Dólar termina dia em leve alta, cotado a R$ 5,19

Bolsa de valores registrou uma leve queda, com ações de energia e mineração puxando o principal índice da B3 para baixo

A moeda norte-americana operou acima do valor de abertura durante todo o pregão e encerrou a sessão com uma valorização de 0,16%, cotado a R$ 5,19. -  (crédito: Alexander Grey Unsplash)
A moeda norte-americana operou acima do valor de abertura durante todo o pregão e encerrou a sessão com uma valorização de 0,16%, cotado a R$ 5,19. - (crédito: Alexander Grey Unsplash)

O dólar comercial fechou em leve alta nesta terça-feira (10/2), após ter atingido o menor nível em quase dois anos no dia anterior. A moeda norte-americana operou acima do valor de abertura durante todo o pregão e encerrou a sessão com uma valorização de 0,16%, cotado a R$ 5,19. No cenário internacional, o dólar ficou estável, com o Índice DXY – que mede a força da moeda ante as principais divisas do mundo – com queda mínima de 0,01%.

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Na avaliação do especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, a leve alta da moeda norte-americana é marcada principalmente por um ajuste técnico, após a valorização acumulada do real em 2025, que já chega a 5%. “Adicionalmente, o mercado adota postura mais cautelosa diante da divulgação de dados importantes nos EUA nesta semana, como o CPI e o payroll – índices de inflação e desemprego no país, respectivamente –, o que tem levado investidores a evitar apostas direcionais mais firmes no câmbio”, comenta.

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No Brasil, o principal destaque do dia entre os indicadores econômicos foi o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, que subiu 0,33% e manteve a inflação acumulada abaixo do teto da meta. Para o especialista da Nomad, o dado mantém o debate sobre a possibilidade de um corte de 0,5% na taxa Selic já na próxima reunião, marcada para março. “Ainda assim, o Brasil segue com um elevado diferencial de juros, que, aliado ao fluxo estrangeiro para bolsa e renda fixa, tem sustentado o bom desempenho do real neste ano”, acrescenta Shahini.

No mercado acionário, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (IBovespa/B3) fechou o dia com uma leve queda de 0,17%, aos 185.929 pontos. As ações da empresa do setor de energia Eneva (ENEV3) foram as que mais desabaram no dia, com recuo de 9,48%. A queda se deu após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovar o edital do principal leilão de 2026 destinado a reforçar a segurança do setor elétrico no país com ‘preços-teto’ para a contratação de usinas termelétricas muito abaixo dos previstos pelo mercado.

Outras ações que registraram perda considerável na sessão desta terça-feira foram as da Raízen (RAIZ4), que no dia anterior perdeu o grau de investimento em duas das agências de risco norte-americanas: a Fitch e a Standard & Poor’s (S&P). No último mês de novembro, a Moody’s já havia rebaixado o nível da empresa para ‘grau especulativo’. No dia, os papeis da companhia caíram 8,33%, sendo cotados a R$ 0,77.

Para Thomás Cordeiro, economista da Finance Consultoria, a atenção do mercado deve se voltar para o comportamento da inflação nos próximos meses. “Houve um leve aumento no IPCA acumulado em 12 meses. Vai ser importante observar se a queda do índice será mais expressiva em fevereiro, já que em fevereiro de 2025 houve um valor atipicamente alto, em torno de 1,3%, que ainda pesa no acumulado”, afirmou. Segundo ele, um resultado mais baixo pode provocar recuo relevante da inflação anual.

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O economista avalia que os movimentos recentes do câmbio e da Bolsa estão ligados principalmente ao ingresso de capital estrangeiro. De acordo com Cordeiro, o cenário internacional tem estimulado a diversificação de ativos, diante das incertezas geradas pela política econômica dos Estados Unidos. “Esse ambiente afeta o papel do dólar como reserva de valor global e contribui para um aumento do fluxo de capitais para mercados emergentes”, disse.

Nesse contexto, o Brasil tem se destacado como destino desses recursos, impulsionado também pelo diferencial de juros reais. Para ele, ao observar o câmbio real ajustado pela inflação brasileira e norte-americana nos últimos 10 ou 15 anos, o real ainda se encontra em patamar desvalorizado.Porém, na avaliação de Cordeiro, existe espaço para continuidade desse movimento. “Alguns analistas acreditam que o dólar possa chegar a R$ 4,50. Não significa que isso vá acontecer, mas é uma tendência possível. A estabilidade ou valorização cambial ajuda o Banco Central a atingir a meta de inflação”, disse.

*Estagiário sob a supervisão de Paulo Leite

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postado em 10/02/2026 19:17
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