Caso Master

Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno liquidado pelo BC

Ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, empresário baiano é investigado por irregularidades em R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado vendidas ao BRB e foi preso na Operação Compliance Zero

O Banco Central do Brasil (BC) decretou nesta quarta-feira (18/2) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM, instituições controladas pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. As duas empresas integravam o conglomerado até o segundo semestre do ano passado, quando foram vendidas a Lima.

O empresário deixou a sociedade no Master em 2024 e assumiu o controle do antigo Voiter, rebatizado como Pleno. Desde então, realizou aportes que totalizam R$ 160 milhões na instituição.

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Lima foi preso em novembro, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), no mesmo dia em que o BC determinou a liquidação do Banco Master. Ele foi solto cerca de duas semanas depois por decisão judicial.

O banqueiro é investigado por suspeitas de irregularidades em carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao Banco de Brasília (BRB). A apuração aponta inconsistências que podem chegar a R$ 12,2 bilhões.

Segundo as investigações, o empresário baiano, de 46 anos, teria criado associações de servidores na Bahia usadas como originadoras das carteiras negociadas com o BRB. O Banco Central concluiu que essas entidades não possuíam capacidade financeira para movimentar os volumes informados. Já a PF sustenta que Lima integrava o núcleo responsável pelas decisões estratégicas e pela interlocução com agentes públicos no esquema sob apuração.

Ligações políticas

Além da atuação no mercado financeiro, Augusto Lima cultivou relações no meio político, transitando entre diferentes espectros ideológicos. Ele é casado com Flávia Arruda, ex-ministra do governo Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL do Distrito Federal. Ao mesmo tempo, mantém interlocução com integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia.

Lima aparece como um dos principais alvos da investigação em razão de sua atuação como executivo do Banco Master. A Polícia Federal o aponta como peça relevante por ter levado à instituição um de seus produtos mais estratégicos, o cartão de crédito consignado CredCesta, que se tornou um dos pilares do modelo de negócios do banco no segmento de crédito a servidores.

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