
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, chega hoje à Índia, onde participa de um evento sobre os impactos da inteligência artificial ao mundo, na capital do país, Nova Delhi. Ainda na Ásia, o chefe do Executivo buscará uma nova abertura de mercado à carne bovina brasileira na Coréia do Sul, que somente em 2025, importou cerca de 500 mil toneladas do produto e possui um consumo anual em torno de 900 mil toneladas.
Quinto maior importador de carne bovina no mundo, a Coreia do Sul é altamente dependente da compra do produto de outros países, que representam cerca de 60% do consumo interno. Diante disso, o setor acredita que há uma boa oportunidade para o Brasil com a possível abertura de mercado ainda este ano, que pode elevar ainda mais as exportações do país que possui o maior rebanho comercial do planeta.
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Em nota enviada ao Correio, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) lembra que o governo brasileiro busca esse acesso há mais de 20 anos e que há otimismo em relação ao negócio. "A presidência da associação integrará a missão presidencial à Coreia do Sul nesta semana, juntamente com representantes de mais de 10 indústrias do setor, em agendas que reforçam o diálogo bilateral. Há uma expectativa positiva diante do histórico de relação e da ligação do presidente Lula com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, o que pode contribuir para o avanço das negociações", destaca.
Dados levantados pela própria entidade mostram que países asiáticos têm importado cada vez mais carnes brasileiras. Além da China - maior parceira comercial em números absolutos -, que em 2024 foi o destino de 46,17% de toda a quantidade do produto exportado pelo Brasil, outras nações como Hong Kong, Filipinas e Emirados Árabes Unidos também têm registrado um aumento quase progressivo nessas importações. No ano passado, o governo conseguiu uma importante abertura comercial com o Vietnã, que também promete ampliar as aquisições do produto brasileiro.
Na comitiva de Lula, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, deve reforçar a pauta pela abertura comercial com os coreanos, que já importam outros produtos agrícolas brasileiros, como farelos de soja e café não torrado. No ano passado, o comércio bilateral entre os dois países chegou a US$ 10,8 bilhões, com a balança ligeiramente favorável para o Brasil (US$ 5,5 bilhões x US$ 5,3 bilhões). Atualmente, a Coréia do Sul é o 13º maior importador dos produtos brasileiros.
O presidente da República deve chegar ao país no próximo dia 23, quando participa de uma reunião com o presidente Lee Jae Myung e participa do Fórum Empresarial Brasil-Coreia, onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que tem o objetivo de intensificar o relacionamento entre os dois países. Antes disso, na Índia, Lula deve ter um encontro com o presidente da França, Emmanuel Macron, que, de acordo com informação publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, solicitou uma reunião bilateral com o brasileiro. A agenda deve tratar da adoção do acordo Mercosul-União Europeia (UE), que enfrenta resistência dos agricultores e pecuaristas franceses, sobretudo pela possibilidade de perda de competitividade das carnes produzidas no mercado interno.

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