IBGE

MP junto ao TCU pede afastamento de Pochmann da presidência do IBGE

Representação cita trocas em cargos técnicos, proposta de fundação paralela e risco à credibilidade das estatísticas oficiais

Gestão de Pochmann no IBGE enfrenta críticas internas, com servidores alertando para risco de
Gestão de Pochmann no IBGE enfrenta críticas internas, com servidores alertando para risco de "IBGE paralelo" - (crédito: Instituto Lula/Divulgação)

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu o afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann, por suspeitas de irregularidades administrativas na condução do órgão. A representação foi apresentada pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira.

O documento aponta, entre as principais preocupações, a substituição recorrente de servidores de carreira em cargos técnicos estratégicos por funcionários recém-ingressos no instituto. Também é questionada a proposta de criação da Fundação IBGE+, uma entidade privada de apoio ao instituto.

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Segundo o documento, a iniciativa indicaria um “quadro institucional preocupante”, ao prever a estruturação de uma entidade paralela com possibilidade de captação própria de recursos e atuação em áreas sensíveis relacionadas à produção e ao tratamento de dados oficiais. Para o procurador, a criação de uma fundação com esse perfil não poderia resultar de simples ato administrativo da presidência do órgão.

A procuradoria também manifesta preocupação com medidas da atual gestão que poderiam alterar metodologias de coleta e tratamento de dados. Na avaliação do procurador, mudanças desse tipo podem comprometer a autonomia técnica e a credibilidade das estatísticas produzidas pelo IBGE.

“Nesse cenário, a eventual manipulação indevida de parâmetros metodológicos, premissas técnicas ou processos de validação interna, com o objetivo de influenciar resultados conjunturais, configuraria violação grave aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência”, afirma trecho da representação.

O procurador alerta ainda para o risco de prejuízo aos cofres públicos. “O descrédito nas estatísticas oficiais, notadamente no cálculo do PIB e nos índices de inflação, possui elevado potencial de causar dano ao erário”, diz o documento.

A gestão de Pochmann enfrenta críticas internas desde o início de 2025. Servidores do instituto afirmam que a proposta de criação da Fundação IBGE+ pode resultar em um “IBGE paralelo”, desviando o foco das atividades centrais do instituto. Funcionários também relatam episódios de assédio e retaliação após críticas à gestão.

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postado em 11/03/2026 14:04 / atualizado em 11/03/2026 14:06
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