O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou nesta segunda-feira (2/3) que uma eventual manutenção do barril de petróleo na faixa entre US$ 75 e US$ 85, em meio ao novo conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, não deve provocar pressão inflacionária relevante no Brasil no curto prazo.
Segundo ele, tampouco haveria impacto significativo sobre o cenário de política monetária já sinalizado pelo Banco Central. “Acho que o Irã não tem efeito relevante para política monetária nesse primeiro momento”, disse Ceron, ao participar do evento "Rumos 2026", promovido pelo Valor Econômico, em São Paulo. “Se o barril do petróleo oscilar entre US$ 75 e US$ 85, não parece cenário catastrófico para o Brasil.”
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De acordo com o secretário, a recente apreciação cambial ajuda a amortecer eventuais pressões sobre os preços. “Se (o petróleo) ficar mais ou menos nesse patamar, dada a apreciação cambial que aconteceu, não tem uma pressão inflacionária muito relevante. Então, não acredito em alteração do cenário traçado pelo Banco Central”, afirmou.
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Ceron ponderou, no entanto, que um agravamento do cenário externo poderia alterar esse quadro. “O que pode acontecer lá na frente é o momento de parada dos cortes acontecer antes se o repasse a preços ficar mais intenso.” Ele ressaltou que um barril acima de US$ 100 mudaria a avaliação. “Claro, não pensando em um cenário de barril de petróleo acima de US$ 100, que começa a ter uma pressão maior do ponto de vista inflacionário e gera outras repercussões.”
Contas públicas
No campo fiscal, o secretário destacou que a alta do petróleo pode gerar efeitos positivos para as contas públicas, já que o Brasil é exportador relevante da commodity. O aumento de preços tende a elevar a arrecadação com royalties e pode ampliar a distribuição de dividendos da Petrobras, além de favorecer receitas previstas no Orçamento com leilões e participações em campos petrolíferos.
“Somados, eles não são pequenos”, afirmou, ao se referir aos impactos fiscais. Segundo Ceron, um cenário com petróleo e dólar mais fortes pode melhorar a perspectiva de concretização dessas receitas.
Porto seguro
Ceron avaliou que, mesmo diante das incertezas no cenário internacional, o Brasil mantém uma posição relativamente favorável. Segundo ele, o país continua atraindo capital externo em meio ao movimento global de diversificação de investimentos. “Tudo o mais constante, Brasil segue como ganhador em momentos como esse”, afirmou, ao destacar que o país é percebido como destino seguro por investidores internacionais.
De acordo com o secretário, o atual ambiente de busca por diversificação de portfólio tem favorecido o Brasil. “O Brasil está sendo muito beneficiado por esse fluxo que busca diversificação, e num cenário como esse, também acaba sendo beneficiado porque nós somos um país pacífico, sem atritos”, destacou.
Ele ressaltou, ainda, que episódios pontuais na região não comprometem a imagem de estabilidade construída pelo país ao longo do tempo. “Por mais que tenha acontecido o episódio na Venezuela, foi algo muito pontual, e o Brasil tem histórico de muita estabilidade. O Brasil não deixa de ser uma espécie de porto seguro para o mundo para diversificar sua locação no portfólio”, acrescentou o secretário.
Apesar da avaliação positiva, ele reconheceu que conflitos geopolíticos tendem a afetar o crescimento global, o que exige cautela na análise dos impactos econômicos.
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