EUA - ISRAEL X IRÃ

Estreito de Ormuz: a importância da região para o petróleo mundial

Local voltou a estar no centro das atenções da economia global após ataque norte-americano e morte do aiatolá do Irã

Estreito de Ormuz: importante rota de petróleo  -  (crédito: picture-alliance/dpa/NASA/The Visible Earth)
Estreito de Ormuz: importante rota de petróleo - (crédito: picture-alliance/dpa/NASA/The Visible Earth)

Cerca de um quinto de todo o petróleo extraído no mundo passa por um pedaço de oceano que chega a ter somente 33 quilômetros de distância de uma margem a outra. Trata-se do Estreito de Ormuz. Além de ser passagem do chamado “ouro negro”, o Estreito de Ormuz também é importante para o comércio global pelo transporte de gás e outros produtos fabricados no Oriente Médio.

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Com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, a Guarda Revolucionária Iraniana decidiu fechar novamente o estreito, a exemplo do que ocorreu em junho de 2025, durante a Guerra dos Doze Dias, com a Operação Martelo da Meia-Noite, que atingiu três instalações nucleares no país.

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Desta vez, o Irã está ainda mais fragilizado, tanto politicamente, com a perda do aiatolá Ali Khamenei, que governou a nação por mais de três décadas quanto militarmente, com boa parte do arsenal de defesa comprometido pelos últimos conflitos.

Diante disso, ainda há dúvidas em relação à capacidade do país localizado no Oriente Médio de manter um controle mais forte às embarcações que trafegam por Ormuz. Mesmo assim, o fechamento da passagem gera uma preocupação, inclusive, a países que mantêm relações mais próximas ao regime teocrático, como a China, que importa quase 5 milhões de barris por dia de petróleo que atravessa o estreito.

Tendências no mercado

Apesar da preocupação relacionada à oferta, o fechamento da região também deve gerar impactos mais graves no preço do petróleo. A curto prazo, há uma expectativa nos mercados futuros de um aumento entre 10% e 20% no valor atual do barril tipo Brent, que atualmente está cotado em US$ 72,48. Caso o conflito se prolongue por mais tempo, o preço poderia ultrapassar o patamar de US$ 100, o que não ocorre desde agosto de 2022.

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz (foto: AFP)

Com a decisão da Guarda Revolucionária, grandes companhias de petróleo e outras empresas de navegação passaram a suspender embarques e operações no entorno de Ormuz. Apesar da restrição, ainda há navios que trafegam pela região, apesar de ser em um volume bem menor do que o normal.

Mesmo diante da preocupação, para o especialista em negócios internacionais e geopolítica do petróleo, Daniel Toledo, o impacto deve ser mais limitado no primeiro momento. Ele aponta que a demanda global por petróleo responde muito mais a fatores estruturais, como crescimento econômico, atividade industrial e consumo global. “Um choque pontual de preço não reduz automaticamente o consumo. O efeito inicial é predominantemente financeiro e especulativo, não físico”, avalia.

Toledo também acredita em um movimento mais de curto prazo nos mercados, apesar de que, se houver uma escalada, aí sim os efeitos poderiam ser prolongados. Nesse caso, ele aponta que o mercado passa a precificar escassez real de oferta e deixa de trabalhar apenas com risco potencial.

“Portanto, tecnicamente falando, hoje estamos diante de um choque de risco. Para virar um choque estrutural de oferta e sustentar preços elevados por semanas ou meses, seria necessário que o conflito afete efetivamente a produção, o transporte ou a capacidade exportadora da região. Sem isso, a tendência histórica é de volatilidade forte no curto prazo, seguida de acomodação”, avalia.

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postado em 01/03/2026 20:08
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