Um grande ataque coordenado por forças dos Estados Unidos e de Israel atingiu, neste domingo (8/3), quatro instalações de armazenamento de petróleo nas províncias de Teerã e Alborz, no Irã. Os bombardeios atingiram depósitos de combustível e um centro logístico de produtos petrolíferos, provocando incêndios de grandes proporções e ampliando a tensão no conflito no Oriente Médio.
A escalada militar já começa a pressionar os mercados internacionais de energia. Desde o início da guerra, o preço do petróleo Brent — principal referência global — acumula alta próxima de 30%.
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Pela primeira vez desde o início da guerra, a infraestrutura petrolífera iraniana foi diretamente alvo de ataques. Autoridades locais informaram que ao menos seis pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas. Em um dos depósitos atingidos na capital, o combustível continuava queimando mais de 12 horas após os bombardeios, com chamas intensas e equipes de emergência tentando conter o avanço do fogo.
O impacto visual na capital iraniana foi imediato. Segundo a agência Agence France-Presse (AFP), moradores de Teerã relataram que a cidade amanheceu sob um cenário descrito como "apocalíptico". Colunas densas de fumaça escura, provenientes dos depósitos de combustível atingidos, encobriram parte do céu da capital, reforçando a dimensão dos ataques.
Apesar da escalada militar, o regime iraniano tentou transmitir uma imagem de normalidade. Autoridades anunciaram, inclusive, que já teriam definido um sucessor para o líder supremo, Ali Khamenei. Ao mesmo tempo, o governo fez um alerta sobre os impactos da guerra no mercado energético global.
- Leia também: Guerra: ataque ao Irã afeta preço do petróleo
O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, afirmou que a continuidade do conflito pode comprometer não apenas a venda de petróleo do país, mas também a própria capacidade de produção.
"Trump disse que os preços do petróleo não subiriam muito; agora que subiram, ele diz que logo se corrigirão por si mesmos. Se a guerra continuar assim, não haverá como vender petróleo nem capacidade para produzi-lo", declarou.
Segundo Qalibaf, os efeitos da guerra vão além do território iraniano e podem afetar diretamente a economia global. "Os impactos desse conflito estão prejudicando os interesses dos Estados Unidos pelas ilusões de Netanyahu, mas também os dos países da região e do mundo", disse.
Disparada do Brent
No início da noite de domingo, a disparada se intensificou. Por volta das 19h55, o Brent avançava 17,2%, sendo negociado a US$ 108,25 por barril. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subia 18,5%, alcançando US$ 107,79.
A tensão no mercado também reflete o risco sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa pela região. Na última semana, o tráfego de navios no local foi interrompido, elevando ainda mais as preocupações com o abastecimento global.
Em resposta aos ataques, o Irã também lançou ofensivas contra instalações energéticas em Israel, Arábia Saudita e Catar — países considerados aliados estratégicos de Washington na região.
Com o conflito chegando ao nono dia, os mercados iniciam a semana sob forte expectativa de volatilidade. Analistas avaliam que a combinação de ataques à infraestrutura energética, cortes na produção de grandes exportadores e limitações na capacidade de armazenamento pode agravar a instabilidade no fornecimento global de petróleo.
Impacto no Brasil
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) também alerta para os possíveis efeitos da escalada militar sobre o mercado internacional de energia. Segundo a entidade, "bloqueios ou ataques à infraestrutura da região podem causar severas disrupções, afetando prioritariamente o abastecimento de grandes economias asiáticas, como China, Índia e Japão".
Na avaliação do instituto, se as hostilidades persistirem, o cenário tende a provocar perda de competitividade nessas economias e intensificar a pressão sobre os preços do petróleo e do gás natural nos mercados globais.
O especialista em direito tributário pela Fundação Getulio Vargas (FGV) Fabrício Tonegutti avalia que a alta do petróleo no mercado internacional tende a repercutir diretamente na economia brasileira. Segundo ele, o primeiro impacto costuma aparecer nos combustíveis.
"Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil. Primeiro, os combustíveis vão sofrer reajuste. Mesmo sendo produtor de petróleo, o país importa derivados e utiliza a referência internacional para definir os preços", explica.
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