A indústria tenta se recuperar de um ano traumático para o setor no começo de 2026. Dados publicados nesta segunda-feira (9/3) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o faturamento das empresas subiu 2,3% no último mês de janeiro em relação a dezembro. Apesar do resultado positivo em relação ao período imediatamente anterior, o saldo foi 9,7% menor do que o registrado no mesmo mês em 2025.
“Os elementos que levaram ao desaquecimento da indústria de transformação em 2025 permanecem penalizando o setor, que são, sobretudo, os juros elevados, o alto custo do crédito e a desaceleração da demanda, além da forte entrada de bens de consumo importados”, explica Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, sobre a pesquisa Indicadores Industriais.
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O faturamento também não acompanha o aumento da rotina de trabalho. Na comparação entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, as horas trabalhadas na produção aumentaram 0,5%. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o número de horas trabalhadas no setor registrou uma queda de 2,6%.
Também em janeiro, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) ficou praticamente estável, com uma leve variação de 0,2 ponto percentual, passando de 77,4% em dezembro de 2025 para 77,6% em janeiro de 2026.
Apesar do momento negativo, o setor espera que a redução da taxa básica de juros já na reunião deste mês de março do Comitê de Política Monetária (Copom) volte a aquecer a produção e o faturamento das empresas, como destaca a especialista da CNI.
“A CNI espera que o Copom inicie o ciclo de corte dos juros já na próxima reunião. No entanto, o patamar da Selic ainda vai continuar bastante elevado, restringindo a atividade econômica, especialmente da indústria de transformação”, pondera Nocko. A taxa Selic segue no patamar de 15% ao ano desde a reunião de junho de 2025.
