CARREIRA

Livro aborda economia vista como ativo profissional

Em novo livro que será lançado na próxima quarta-feira (25/3), economista Fabio Giambiagi aborda aspectos históricos para entender a economia brasileira e global e debate sobre a evolução da profissão do economista

Em um cenário global cada vez mais polarizado, o conhecimento da economia é uma importante ferramenta para a compreensão da atual conjuntura, que ganhou mais incertezas em meio a um novo conflito no Oriente Médio. E entender esse ambiente cada vez mais complexo é uma das tarefas mais demandadas pelos economistas, de acordo com Fabio Giambiagi, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

O economista, em parceria com a doutora Arlete Nese, pesquisadora na área de governança, sobre o ensino da disciplina no Brasil, lançam, na próxima quarta-feira (25/3), o livro Por que estudar economia — Conversas da profissão, pela Editora AltaCult.

A obra, composta de 10 capítulos, aborda aspectos históricos para entender a economia brasileira, destacando a evolução do país nas últimas décadas e analisando os erros recorrentes que levaram à desorganização macroeconômica. No plano internacional, destaca a ascensão da China e a instabilidade regional devido às crises nos países vizinhos e como elas impactaram diretamente o Brasil.

Ao longo do livro, os autores destacam que a disciplina não é um conjunto de fórmulas abstratas, mas uma ferramenta para interpretar a história e elaborar propostas concretas de bem-estar social. Segundo eles, o conhecimento matemático é um "ativo" na formação de todo economista, mas o conhecimento adquirido é mais amplo. Nesse contexto, eles tentam ajudar o estudante de 15-17 anos a ter mais subsídios sobre a profissão.

"O principal ativo do ser humano é a inteligência e o economista do futuro tem sido demandado para várias tarefas mais nobres, além do básico da matemática", explica Giambiagi, em entrevista ao Correio. Segundo ele, a economia é também um ativo para outras profissões. Além disso, cada vez mais, o mercado exige do economista um desenvolvimento profissional, como conhecimento de informática e também sobre a inteligência artificial.

O pesquisador destaca também que uma das importâncias de ser economista é saber interpretar os dados de forma possível para chegar ao diagnóstico correto em uma série de campos. Nesse sentido, em um dos capítulos faz uma provocação sobre como ser o "advogado do diabo".

"É sempre importante entender a importância do contraditório, aprender a lidar com os argumentos contrários para aprender a rebatê-los. Isso é muito importante na profissão de cronista, tanto que no capítulo 10, sobre "para cair na vida" tentamos dar uma ideia sobre a remuneração no setor privado — que varia a partir de de R$ 7,2 mil mensais, para até R$ 27 mil, no caso de um chefe em uma empresa de grande porte.

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Uma passagem do livro destaca uma pergunta feita a Warren Buffet, um dos maiores investidores globais, sobre qual seria a razão de não haver mais gente imitando as estratégias de investimento dele. E a resposta dele "Porque ninguém gosta de ficar rico aos poucos", foi uma "análise do mercado", na visão dos autores. Segundo Giambiagi, o livro é "para todas as igrejas". 

'Não tem absolutamente nada de catequese das ideias mais liberais, ortodoxas ou fiscais nas quais eu acredito. Cada um definirá qual é o seu próprio credo", afirma Giambiagi, que é um economista conhecido por ideias mais liberais. Ele adianta que já está preparando, para novembro deste ano, um novo livro que vai abordar os impactos da inteligência artificial na economia.

 


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