Conflito no Oriente

Diesel sobe 20% desde o início da guerra

Com a instabilidade geopolítica, que afeta o petróleo em todo o mundo, o preço dos combustíveis no Brasil segue em disparada. No mercado financeiro, a Bolsa de São Paulo registra queda de 2,25% e o dólar sobe a R$ 5,30

Ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, Lula defendeu a criação de um estoque regulador para proteger o país de pressões internacionais        -  (crédito:  Ricardo Stuckert / PR)
Ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, Lula defendeu a criação de um estoque regulador para proteger o país de pressões internacionais - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O alerta aceso para novas incursões militares no Oriente Médio, ontem, elevou, mais uma vez, o preço do petróleo no mercado internacional.  Com isso, o valor do diesel no Brasil segue em ritmo de escalada em todo o país.

Desde o final de fevereiro, o valor médio praticado nos postos de combustível acumula um aumento de mais de 20%, no caso do tipo S-10. Em relação ao diesel comum, o avanço nesse mesmo período é de 17,8%, segundo levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). Entre a segunda e a terceira semana de março, o diesel comum subiu 6,41%, passando de R$ 6,90 para R$ 7,34 por litro, enquanto o diesel S-10 avançou 6,44%, de R$ 7,02 para R$ 7,48. Os dados já contemplam o novo reajuste do preço do combustível vendido pela Petrobras, de R$ 0,38 por litro, que entrou em vigor no último dia 14 de março.

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Na mesma semana, o preço da gasolina registrou uma alta de 2,34%, com um avanço de R$ 6,63 para R$ 6,79 por litro, ao mesmo tempo que o etanol ficou 0,86% mais caro, passando de R$ 4,89 para R$ 4,93 por litro. Ontem, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o governo "não dará trégua" em relação à fiscalização de preços abusivos nos postos de abastecimento em todo o país. O chefe da pasta também voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Se não fosse o crime lesa pátria de venda da nossa BR Distribuidora, hoje nós teríamos condições de dar suprimento, de dar uma referência de preço muito mais confortável ao povo brasileiro. Por isso, as ações do governo do Brasil não darão trégua para que a gente atravesse esse momento que não é e não está sobre o gerenciamento do Brasil. É um problema que vive o mundo inteiro, infelizmente", defendeu Silveira.

Na visão do especialista e cofundador do Clube do Valor Ramiro Gomes Ferreira, a expectativa é que, com os preços dos combustíveis em alta, sobretudo no caso do diesel, isso também tenha impacto na inflação de outros produtos e serviços. "Isso cria uma pressão inflacionária que faz o mercado enxergar menos possibilidade de corte de juros e até uma Selic mais alta para conseguir controlar uma inflação que venha a aumentar no futuro", comenta.

Mercado financeiro

No Brasil, a semana terminou de forma negativa para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), reflexo do cenário geopolítico que segue instável. O principal índice da B3 ampliou o cenário de queda no mês de março, no qual já acumula 6,66% de baixa, e encerrou o pregão diário com uma forte retração de 2,25%, aos 176.219 pontos. Considerando a média da semana, o Ibovespa perdeu 0,91%. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4), que foram as mais negociadas do dia, também apresentaram uma das maiores quedas durante a sessão. No fechamento, os papeis da companhia registraram baixa de 2,37%, mesmo com o barril de petróleo em ritmo de valorização no exterior.

No mercado cambial, o dólar voltou a operar no patamar de R$ 5,30 e fechou o dia nesse mesmo valor, após se valorizar 1,8% ao final do pregão. Para o especialista em investimentos da Nomad Bruno Shahini, o dólar ganhou força em meio a uma deterioração clara do ambiente de risco global. "Apesar de alguns sinais de possível desescalada na tarde de ontem, o mercado volta a focar nas incertezas em torno de um conflito de maior duração, especialmente após notícias de uma possível incursão terrestre dos Estados Unidos no Irã. Esse movimento elevou de forma relevante o risco de um choque adicional nos preços de energia, com o petróleo avançando para níveis acima de US$ 110 por barril", destaca o especialista.

 Petróleo

A permanência das incertezas no mundo manteve a volatilidade no barril do tipo Brent, que subiu 3,26% nos contratos com vencimento em maio no pregão de ontem, sendo vendido a US$ 112. Na mesma linha, o West Texas Intermediate (WTI) — utilizado como referência para os Estados Unidos - para abril subiu 2,27%, a US$ 98 o barril.

Apesar das declarações de Trump a jornalistas que negam quaisquer novos movimentos no golfo persa, os Estados Unidos enviaram cerca de 2,5 mil militares para o Oriente Médio, com o objetivo de reforçar as tropas alocadas na região. A incursão inclui fuzileiros navais e marinheiros, além de um navio de assalto anfíbio, o USS Boxer. O sentimento de incerteza em relação à guerra provocou efeitos diretos no mercado financeiro, com o Dow Jones recuando 1,08%, além de perdas de 1,58% do S&P 500 e de 2,09% do Nasdaq - os principais índices dos EUA.

Além da companhia de petróleo, outras ações de destaque no Ibovespa fecharam com quedas expressivas, o que ajuda a explicar a queda maior do índice nesta sexta-feira. Os papéis dos grandes bancos ficaram todos no vermelho, com o Santander (SANB11) liderando as perdas, com menos 2,47%, seguido por Itaú Unibanco (ITUB4) (-1,73%), Bradesco (BBDC4) (-1,66%) e Banco do Brasil (BBAS3) (-1,02%).

O cenário de incerteza também provoca efeitos nas curvas de juros futura, que têm relação direta com o medo de novo aumento da inflação no país. O especialista em investimentos do grupo Axia Investing, Felipe Sant'Anna, ressalta que há uma discussão de que o Banco Central do Brasil pode ter se precipitado ao reduzir os juros neste momento. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou em 0,25% a taxa Selic na reunião ocorrida nesta semana. "O mercado pressionou muito para que a Selic iniciasse um ciclo de corte, mas a gente enxerga hoje que, talvez, justamente nessa reunião, seria a única de todas essas leituras anteriores que não deveria ter sido cortada", pontua.

 


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postado em 21/03/2026 03:42
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