ECONOMIA

Indústria começa 2026 com fôlego, mas juros altos geram incerteza

Dados foram divulgados pela Fiesp e indicam resultados acima da expectativa do mercado

Indústria tem espaço para crescer e aumentar a participação na economia do DF, avalia Fibra -  (crédito: Fibra)
Indústria tem espaço para crescer e aumentar a participação na economia do DF, avalia Fibra - (crédito: Fibra)

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nesta quinta-feira (2/4) dados sobre a produção industrial em fevereiro. De acordo com o levantamento, a produção avançou 0,9% em fevereiro, após alta de 2,1% em janeiro devido ao ajuste sazonal. Para a Fiesp, o resultado foi abaixo da sua projeção, que era de 1%, mas acima da expectativa do mercado, que indicou 0,7%. "Esse desempenho se deu pelo aumento da indústria de transformação (+1%) e da indústria extrativa (+1,1%) no mês", explicou a federação.

2026 tem tido um começo favorável para a indústria, que ainda se recupera das perdas do fim de 2025, onde o crescimento foi mais espalhado entre os setores. A Fiesp avalia que janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro comprometido pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas. Enquanto fevereiro se destacou pelo avanço da produção, que pode ser associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais.

"Apesar do desempenho favorável registrado nos dois primeiros meses do ano, a indústria de transformação enfrenta um conjunto de desafios que aponta para a continuidade de um cenário de fragilidade do setor ao longo do ano. Entre os principais fatores, destaca-se o nível ainda elevado da taxa de juros, alto nível de endividamento das famílias, cenário internacional ainda mais incerto em razão da intensificação de conflitos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio, e uma aceleração significativa da inflação dos custos industriais", pontuou a federação.

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Otimismo

Apesar das projeções internacionais e dos juros brasileiros não serem as melhores para o resto do ano, os anúncios de investimento em infraestrutura e projetos do Governo Federal têm sido vistos como um contrapeso importante. A Fiesp destacou os programas Move Brasil, Reforma Brasil e a ampliação do Minha Casa Minha Vida, segundo a federação, eles podem contrabalançar parte dos fatores negativos que afetam a indústria nacional.

"Nesse contexto, a Fiesp projeta crescimento de 0,9% da produção da indústria geral em 2026, após alta de 0,6% em 2025. Já a Indústria de Transformação deverá apresentar estabilidade (0,0%) em 2026, após queda de 0,2% em 2025", analisa a Fiesp.

Destaques do setor

Para a analista de macroeconomia da InvestSmart CP, Sara Paixão, e a produção teve um avanço de 0,9% devido ao setor de veículos automotores, reboques e carrocerias e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.

"O que chama a atenção é que a atividade de veículos automotores, reboques e carrocerias já compensou o recuo de 9,5% registrado no final de 2025, pois acumula aumento de 14,1% em 2026. Esse é um setor que está mais relacionado à expansão no setor de crédito, que voltou a ganhar tração depois de também mostrar recuo no final do ano passado, apesar da taxa de juros em patamar elevado. Esse fator pode ser um ponto de atenção para o Copom, que utilizou o recuo da atividade econômica em 2025 como um dos principais fatores para decisão sobre os juros", ressaltou Paixão.

Para a analista, o recuo de 0,7% da indústria indica que ainda há moderação quando comparado ao mesmo período do ano anterior. "Importante dizer que esse resultado pode ter sido influenciado pelo menor número de dias úteis em 2026 e pelo efeito de base, já que janeiro de 2026 apresentou crescimento de 2,1%", explica a especialista. 

 

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postado em 02/04/2026 11:41
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