CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Guerra no Irã começa a afetar a economia mundial, alerta FMI

Se o conflito for prolongado, o impacto poderá ser enorme: o pior cenário contempla um crescimento de 2%, uma queda que recorda episódios de contração como a crise financeira de 2008

Pierre-Olivier Gourinchas, Diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, discursa durante uma apresentação sobre as perspectivas econômicas nas Reuniões de Primavera do FMI e do Grupo Banco Mundial de 2026, em Washington, DC, em 14 de abril de 2026       -  (crédito: KENT NISHIMURA / AFP)
Pierre-Olivier Gourinchas, Diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, discursa durante uma apresentação sobre as perspectivas econômicas nas Reuniões de Primavera do FMI e do Grupo Banco Mundial de 2026, em Washington, DC, em 14 de abril de 2026 - (crédito: KENT NISHIMURA / AFP)

A economia mundial será afetada este ano pela guerra no Oriente Médio, segundo a análise mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicada nesta terça-feira (14), que prevê um crescimento de 3,1%, uma redução de 0,2 ponto percentual na comparação com a estimativa anterior.

Os Estados Unidos serão menos afetados pelo conflito que desencadearam em conjunto com Israel. O crescimento da economia americana será de 2,3% em 2026, 0,1 ponto percentual a menos do que o previsto na publicação anterior, divulgada em janeiro.

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"Nossas previsões de referência são baseadas em um conflito relativamente curto, com uma perturbação temporária do mercado de energia que desapareceria no próximo ano", destacou Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, em declarações à AFP.

"Mas antes da guerra, estávamos nos preparando para revisar as nossas previsões de alta para até 3,4%", ressaltou.

Impacto desigual

Se o conflito for prolongado, o impacto poderá ser enorme: o pior cenário contempla um crescimento de 2%, uma queda que recorda episódios de contração como a crise financeira de 2008 e a pandemia de 2020. 

Em uma decisão incomum, os dirigentes do FMI, do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia (AIE) se reuniram antes do início do encontro anual do Fundo em Washington. 

O diretor da AIE, Fatih Birol, afirmou que o mês de abril poderá ser pior do que março para o abastecimento de energia mundial. 

O aumento expressivo dos preços do petróleo deverá impulsionar a inflação, que até agora permanecia moderada, para alcançar a média de 4,4% a nível mundial, ou seja, 0,6 ponto a mais do que a previsão anterior do FMI em janeiro.

Se o conflito for solucionado na mesa de negociações, "deve ocorrer um leve aumento da inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, mas não deve ser prolongado. Os preços deverão retomar sua trajetória de desaceleração em 2027", disse o economista-chefe do FMI.

O impacto do conflito, tanto em termos de perda de crescimento como de aumento de preços, é distribuído de maneira desigual pelo mundo: os preços devem subir com mais força nos países emergentes ou em desenvolvimento do que nas economias avançadas, onde a inflação deve voltar mais rapidamente a se aproximar do índice de 2% em 2027.

Sem grande surpresa, a região do Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central é a mais afetada pelos efeitos da guerra, com um crescimento reduzido à metade no conjunto dos países. 

A Arábia Saudita, principal economia da região, teve uma revisão de crescimento para 3,1% neste ano, 1,4 ponto a menos do que a estimativa anterior do FMI, antes de voltar a registrar, a princípio, uma expansão em 2027.

Na América Latina e no Caribe, as perspectivas permanecem em leve alta (+0,1 ponto percentual), com um crescimento de 2,3%.

Os emergentes resistem, as economias avançadas menos 

Entre os demais países emergentes ou em desenvolvimento, o impacto deverá ser desigual, com uma revisão em baixa do crescimento mais acentuada na África Subsaariana ou na Europa Central e do Leste do que no continente asiático, por exemplo.

O impacto deve ser mínimo, ou até inexistente, para as principais economias emergentes: a China perderia apenas 0,1 ponto de crescimento este ano, a 4,4%, enquanto a Índia vê o seu crescimento revisado em alta de 0,1 ponto, para 6,5%, e o Brasil em 0,3 ponto, a 1,9%.

Outra possível beneficiada é a Rússia, que deve registrar crescimento de 1,1% este ano, contra 0,8% da estimativa anterior. 

Para Moscou, o aumento do preço do petróleo é "uma boa notícia em termos de receitas de exportação. É uma das principais razões que nos levaram a elevar a nossa projeção de crescimento para a Rússia", explicou o economista-chefe do FMI.

A zona do euro teve uma queda na previsão de crescimento de 0,2 ponto, a 1,1%, mas com um impacto que será diferente de um país para outro. A Espanha perde 0,2 ponto na comparação com a estimativa anterior, com alta de 2,1% do PIB (1,8% em 2027). A Alemanha crescerá apenas 0,8% e a França 0,9%.

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AF
postado em 14/04/2026 11:28
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