Boletim Focus

Mercado eleva projeção da Selic para 13% no fim de 2026

Relatório do Banco Central também aponta alta nas projeções de inflação e PIB em relação à semana anterior

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá os juros, ocorre nos dias 28 e 29 de abril -  (crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá os juros, ocorre nos dias 28 e 29 de abril - (crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)

A pouco mais de uma semana da próxima da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre nos próximas dias 28 e 29 de abril, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (20/4) mostra que os agentes do mercado financeiro estão cada vez mais pessimistas com a trajetória da inflação e dos juros para 2026. A mediana das projeções, segundo o relatório, passou de 12,5% da semana anterior, para 13% ao ano (a.a.) no documento publicado nesta manhã.

Além disso, o mercado também elevou as expectativas para a Selic em 2027, de 10,5% para 11%, e manteve a projeção para o ano seguinte em 10% a.a., quando ainda deve permanecer na casa dos dois dígitos. No limite do horizonte do relatório, os agentes também aumentaram a estimativa para a taxa básica de juros em 2029, de 9,75% para 9,88%.

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No campo da inflação, o relatório também mostra um novo aumento da projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,71% para 4,8% em 2026. Há um mês, essa estimativa estava em 4,17%, bem abaixo do patamar atual e também inferior ao teto da meta prevista pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. Para 2027, a previsão para os juros passou de 3,91% para 3,99%.

Também houve um ligeiro aumento na projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,85% para 1,86% – ainda distante dos 2%. Com a economia mais fraca e a projeção de juros elevados por um tempo ainda maior, economistas alertam para riscos a longo prazo para o crescimento do país. Para o CEO da MA7 Negócios, André Matos, o risco real não é uma recessão, mas sim, “algo mais silencioso”.

“Um país que convive por anos com juro real elevado, crédito caro e resultado fiscal no vermelho tende a crescer sistematicamente abaixo do que poderia. Para investidores e empresas, o maior risco nas projeções atuais não é o que já está no preço. É a combinação de uma inflação que não cede com um fiscal que não fecha, porque se esse quadro persistir, o Banco Central não terá espaço para cortar juros na velocidade que o mercado ainda espera, e o custo disso recai diretamente sobre rentabilidade, planejamento e expansão“, avalia o especialista.

Já o CEO da Asset Bank, Gustavo Assis, avalia que o crédito mais caro por um tempo prolongado dificulta ainda mais a necessidade das empresas de gerar liquidez e organizar passivos. “O cenário, portanto, favorece soluções de crédito estruturado, com análise mais profunda de risco e estruturas capazes de conectar capital privado à economia real de forma eficiente. Em fases como esta, quem depende apenas da lógica bancária tradicional tende a sofrer mais”, comenta Assis.

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postado em 20/04/2026 12:39
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