
O encarecimento de determinados produtos básicos provocou um aumento menos expressivo do consumo nos lares brasileiros nos três primeiros meses do ano. O levantamento conduzido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostra que, no primeiro trimestre de 2026, houve um crescimento de 1,92% do indicador, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os dados publicados nesta quinta-feira (23/4) também mostram que houve uma leve recuperação no mês de março, que apresentou o melhor resultado mensal de 2026 até o momento, com um crescimento de 3,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior e de 6,21% ante fevereiro. O crescimento mês-a-mês, no entanto, é impactado pelo “efeito calendário”, visto que março possui três dias a mais.
No terceiro mês do ano, houve um aumento de 2,2% no preço médio de uma cesta de 35 produtos de largo consumo, que passou de R$ 802,88, em fevereiro, para R$ 820,54, em março. Nesse contexto, itens como feijão — que subiu 15,4% em março e acumula valorização de 28% no ano — e o leite longa vida, que avançou 11,74% ante fevereiro, contribuíram para esse movimento, de acordo com a entidade.
Para o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o aumento no preço do feijão se deve a uma oferta mais restrita, impactada por fatores como clima, logística e câmbio. “Os indicadores do mercado agrícola sugeriram cenários mais equilibrados no agregado, embora com comportamentos distintos entre produtos”, destaca o executivo.
Entre as proteínas, o ovo também ficou mais caro em março (+6,65%) e acumula valorização de 6,51% desde o início de 2026, bem como o corte traseiro, que desde janeiro registra uma alta de 6,29% no preço médio do produto. Em entrevista coletiva, o vice-presidente da Abras destaca a alta do petróleo e o encarecimento do transporte como fatores que também contribuíram para o encarecimento dos alimentos, embora acredite que os empresários estejam ainda receosos em repassar a inflação para o preço final dos itens.
“O que a gente sente é que as empresas estão segurando tudo aquilo que elas podem segurar nesse momento e repassando somente no momento em que ela não consegue mais manter o seu nível de rentabilidade para poder manter o negócio. Então esse movimento depende muito também das políticas comerciais de cada empresa”, sustenta Milan.
Para os próximos meses, a entidade avalia que ainda existe um risco de alta dos alimentos, em virtude do frete mais caro, somado a fatores que envolvem clima e oferta. A alta do petróleo e o encarecimento do transporte, como destaca a Abras, aumentam o custo para a reposição em cadeias mais longas e intensivas em logística, o que pressiona o valor dos alimentos.

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