O conflito no Oriente Médio deve elevar em até US$ 50 bilhões a demanda por apoio financeiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no curto prazo, segundo estimativas da instituição. A diretora-geral Kristalina Georgieva indicou nesta quinta-feira (9/4) que o crescimento global será revisado para baixo no próximo relatório Perspectiva Econômica Mundial.
A guerra também provocou impacto direto no mercado de energia. Houve redução de 13% no fluxo global diário de petróleo e de 20% no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL), o que elevou os preços internacionais, segundo ela.
Um dos principais pontos afetados é o complexo de Ras Laffan, no Catar, responsável por 93% da produção de GNL do Golfo Pérsico. A estrutura está fechada desde 2 de março, e a previsão é de que a recuperação leve de três a cinco anos.
As cadeias globais de suprimentos também foram impactadas. A dependência de insumos industriais como enxofre, hélio — utilizado na produção de semicondutores em Taiwan — e nafta, essencial para a indústria de plásticos, tem provocado interrupções no abastecimento.
Em relação à navegação no Estreito de Ormuz e ao tráfego aéreo na região, o risco permanece elevado, o que mantém sob pressão o fluxo de mercadorias e passageiros. Segundo Kristalina, “o que sabemos é que o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura”.
O banco multilateral também estima que mais 45 milhões de pessoas entrem em situação de insegurança alimentar, elevando o total global para mais de 360 milhões.
*Estagiário sob a supervisão de Rafaela Gonçalves
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