
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (9/4) que a instituição não está disposta a “negociar seu mandato” e defendeu o avanço do processo de autonomia da autoridade monetária. A declaração foi feita durante evento realizado em São Paulo, no qual o dirigente reforçou a necessidade de consolidar a independência do órgão, especialmente no aspecto financeiro.
Segundo Galípolo, embora o BC já possua autonomia operacional, ainda há lacunas institucionais que precisam ser preenchidas para garantir maior proteção às decisões técnicas da autarquia. “É importante completar esse processo para que quem decide não negociar algumas questões não seja punido por isso amanhã”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento de maior pressão sobre o Banco Central, especialmente após a liquidação do Banco Master, episódio que colocou a instituição sob questionamento de órgãos de controle. Investigações sobre o caso também apontam a possível participação de servidores da autoridade monetária em um suposto esquema criminoso. Apesar do cenário, Galípolo não citou diretamente o caso durante o evento.
Defesa de blindagem institucional
Durante a cerimônia do Ranking Top 5 2025, promovida pelo BC para premiar instituições e analistas com maior precisão nas projeções econômicas do Boletim Focus, Galípolo enfatizou que a autonomia vai além de dispositivos legais formais.
Para ele, trata-se de um princípio institucional que garante a capacidade do órgão de atuar com independência, inclusive ao reconhecer falhas internas. “A autonomia significa algo muito caro ao Banco Central, que não é estar disponível para negociar o seu mandato”, disse.
O presidente da autarquia também destacou que a institucionalidade deve prevalecer acima de interesses conjunturais, permitindo que o Banco Central tenha “coragem” para apontar problemas, inclusive dentro da própria estrutura. “É preciso cortar na carne quando necessário”, afirmou.
Galípolo defendeu ainda a aprovação da chamada PEC 65/2023, atualmente em análise no Congresso Nacional. A proposta amplia a independência administrativa, orçamentária e financeira do Banco Central, transformando-o em uma empresa pública com maior autonomia de gestão.
O texto prevê, entre outros pontos, a possibilidade de administração de recursos próprios, estrutura organizacional mais independente e reforço da blindagem institucional dos dirigentes. A medida busca garantir maior estabilidade às decisões da política monetária, reduzindo pressões externas sobre a atuação do órgão.

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