A inflação deve seguir mais pressionada nos próximos meses, de acordo com estimativas de agentes do mercado financeiro. No relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (13/4) pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltou de 4,36% para 4,71% na comparação com a projeção anterior. Para 2027, o mercado prevê uma inflação de 3,91%, ante 3,85% na perspectiva divulgada há sete dias.
É o quinto aumento consecutivo na projeção para o IPCA no Boletim Focus, que, pela primeira vez em 2026, mostra uma inflação acima do teto da meta (4,5%) até o final do ano. No último mês de março, o índice oficial avançou e chegou a 0,88%, pressionado pelo aumento do preço de combustíveis, como a gasolina, que saltou 4,59% na média nacional e provocou um impacto de 0,23 ponto percentual (p.p.) na inflação geral.
Além dos combustíveis, que impulsionam os preços no grupo de transportes, o IPCA também foi pressionado pelo aumento no preço dos alimentos, que ficaram mais caros também em razão do frete mais caro. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última sexta-feira (10/4).
No Boletim Focus desta semana, a mediana das expectativas para o PIB permaneceu inalterada em 1,85%, assim como as dos anos seguintes, que ficaram em 1,8% para 2027 e 2% para 2028 e 2029. Também ficou estável a projeção para a Taxa Básica de Juros, em 12,5% ao ano no final de 2026.
Apesar de elevar a projeção para a inflação, o mercado prevê um dólar mais fraco no final do ano. A estimativa passou de R$ 5,40 para R$ 5,37 em relação ao último relatório. Também houve queda nas previsões para os anos seguintes, com o câmbio a R$ 5,40 no final de 2027 e a R$ 5,46 em 2028.
Para o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, o cenário atual aponta para um ambiente mais desafiador do que o antecipado pelo mercado. Com a projeção mais alta para a inflação, além da estabilidade das estimativas para a economia e para os juros, o especialista acredita que o espaço para cortes da Selic fica cada vez menor, o que mantém o mercado sensível a riscos fiscais, externos e de commodities.
“Existe, sim, risco de crescimento abaixo do potencial, porque a política monetária segue restritiva e continua afetando consumo, crédito e investimento. Para o investidor, o maior erro agora é assumir que a desinflação está garantida. Não está”, destaca Lima.
Mesmo com o câmbio desvalorizado, o analista destaca que a inflação segue pressionada, o que sustenta juros elevados por mais tempo e aumenta a volatilidade. “Para as empresas, isso significa capital mais caro, menor apetite por risco e margens mais apertadas”, acrescenta.
