Alta dos preços

Guerra impacta e inflação fica em 4,14%

Segundo IBGE, o grupo de transportes pressionou o IPCA de março, que chegou a 0,88%, influenciado pela alta de combustíveis

Em 12 meses, a inflação chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período imediatamente anterior -  (crédito: Freepik)
Em 12 meses, a inflação chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período imediatamente anterior - (crédito: Freepik)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% em março, segundo dados divulgados, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em fevereiro, o indicador foi de 0,70%.

No acumulado do ano, o índice soma alta de 1,92%. Em 12 meses, a inflação chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período imediatamente anterior. Em março de 2025, o IPCA havia sido de 0,56%.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

A elevação revela o impacto dos efeitos da guerra no Irã sobre os preços no Brasil, por causa da oscilação do preço do petróleo no mercado internacional. Os grupos de Transportes e Alimentação e bebidas foram responsáveis, juntos, por 76% da inflação do mês.

Entre os principais fatores de pressão, os combustíveis tiveram papel central. A gasolina subiu 4,59% e exerceu o maior impacto individual no índice, contribuindo com 0,23 ponto percentual. Também houve aumento nas passagens aéreas (6,08%) e no diesel (13,90%), embora com menor peso no cálculo geral.

No grupo Alimentação e bebidas, os destaques foram o leite longa vida, com alta de 11,74%, e o tomate, que avançou 20,31%. Esses dois itens responderam, respectivamente, por 0,07 e 0,05 ponto percentual do IPCA. Somados aos principais itens de transportes, cinco subitens concentraram 0,43 ponto percentual da inflação de março.

ECO-IPCA
ECO-IPCA (foto: Valdo Virgo)

De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, parte das pressões já reflete fatores externos. "Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional", afirmou.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento de preços em março. Transportes liderou, com alta de 1,64% e impacto de 0,34 ponto percentual, seguido por Alimentação e bebidas, que avançou 1,56% e contribuiu com 0,33 ponto percentual.

Nos demais grupos, as variações foram mais moderadas, oscilando entre 0,02% em Educação e 0,65% em Despesas pessoais. Segundo Gonçalves, a alimentação no domicílio teve aceleração mais intensa, com alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022. O movimento combina redução de oferta de alguns produtos com aumento dos custos de frete, influenciados pelos combustíveis.

Entre as 16 localidades pesquisadas, Salvador registrou a maior variação do índice em março, com alta de 1,47%, puxada principalmente pela gasolina (17,37%) e pelas carnes (3,56%).

Já Rio Branco apresentou a menor inflação do período, de 0,37%, influenciada pela queda nos preços da energia elétrica residencial (-3,28%) e das frutas (-3,72%).

Nas principais regiões metropolitanas, o índice ficou abaixo da média nacional em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambos com alta de 0,78%. Em Belo Horizonte, o IPCA foi de 0,93%, acima do resultado geral.

Pressão persistente 

Para analistas do mercado, o resultado de março indica que o processo de desaceleração da inflação ainda enfrenta desafios, especialmente diante da influência de fatores externos. O CEO da MA7 Negócios, André Matos, avalia que um agravamento do cenário geopolítico, especialmente no Oriente Médio, poderá intensificar a pressão sobre o petróleo e elevar ainda mais a inflação, impactando o ritmo de queda dos juros no Brasil.

Na mesma linha, a sócia da Finscale, Leticia Moschioni, afirma que a inflação mais alta eleva custos operacionais, reduz a previsibilidade de receitas e aumenta o risco de inadimplência, sobretudo em setores como varejo, serviços e logística.

O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, destaca que a pressão em combustíveis e alimentos afeta rapidamente a percepção inflacionária e influencia a curva de juros, reduzindo a expectativa de cortes mais intensos da taxa Selic. Já o CEO do Grupo Everblue, Gabriel Padula, ressalta que o ambiente econômico segue condicionado por custos essenciais elevados, exigindo maior rigor na avaliação de risco e na alocação de capital por parte do mercado.

 


  • Google Discover Icon

Tags

postado em 11/04/2026 03:29
x