ACORDO UE-MERCOSUL

Estudo da Fiemg identifica potencial adicional de 11 bilhões de euros

Levantamento feito pela Fiemg sobre o potencial do acordo UE-Mercosul identificou ganho adicional de negócios para produtos brasileiros em torno de 11 bilhões de euros

O acordo comercial de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul começa a ser aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio, e, conforme levantamento feito pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), divulgado nesta quarta-feira (29/4), foram identificados cerca de 11 bilhões de euros em ganhos adicionais para os produtos brasileiros no mercado europeu com o acordo.

Essas oportunidades envolvem tanto produtos já exportados pelo Brasil, como suco de laranja, óleo essencial de laranja, café solúvel, madeira processada, frutas, carnes, aves, milho, etanol, tabaco, couros, ardósia trabalhada, autopeças, partes de motores e insumos industriais, quanto produtos ainda pouco presentes na pauta brasileira e mineira para a União Europeia, mas que podem ganhar competitividade com a redução de tarifas, cotas ou regras preferenciais. Acordo entre Mercosul e União Europeia é aprovado pelo Senado

De acordo com a entidade, para Minas Gerais, "o acordo reforça oportunidades em produtos com potencial de maior valor agregado, como café industrializado, alimentos processados, rochas ornamentais beneficiadas, autopeças, partes de motores, silício metálico e outros químicos inorgânicos, dentre outros nichos industriais".

Ao mesmo tempo, segundo o levantamento feito pela Fiemg, as cadeias já consolidadas na pauta mineira, como café verde, celulose e metalurgia, seguem relevantes para o comércio com a União Europeia, ainda que parte delas já conte com tarifa baixa ou isenção e, portanto, tenha menor ganho tarifário direto. 

Assim, a Federação avalia o acordo de maneira positiva, inclusive, "pelo potencial de atração de investimentos, de empresas europeias ou globais que também desejam acessar o mercado europeu a partir de nosso território, mas é preciso preparar as empresas para exigências, sobretudo de sustentabilidade, das economias da União Europeia". Além disso, segundo a instituição, é necessário cautela e monitoramento para acompanhar os impactos do acordo para nossa indústria. Vale ressaltar que os ganhos não serão automáticos. Para usufruir dos benefícios, é necessária análise caso a caso e emissão do Certificado de Origem (CO), sendo a Fiemg autorizada a emiti-lo.

Para a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, o momento exige uma atuação estratégica do setor produtivo. “O acordo representa um avanço relevante na inserção internacional do Brasil, com potencial de geração de crescimento e ampliação de mercados. No entanto, é fundamental que o país fortaleça sua competitividade, reduzindo o Custo Brasil e apoiando a indústria na adaptação às exigências do mercado europeu”, destacou a executiva, em nota da entidade.

"Dado que a maioria dos produtos isentos eram de commodities, sobretudo minerais, e agrícola como o caso do café, o acordo tende a beneficiar processamento adicionais e agregação de valor desses produtos, como o café industrializado, que antes era tarifado em 9% e será isento de tarifas até 2030", destacou o estudo. 

De acordo com o levantamento, os principais produtos beneficiados serão os que terão isenção tarifária imediata. Produtos como alguns óleos essenciais, eram tarifados em até 7%, passarão a estar imediatamente isentos.

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Para os setores que terão ampliação de cotas, como carnes e mel, o impacto é imediato e já tem provocado movimentações de empresas que precisam se estruturar para exportar maior quantidade possível e, assim, aproveitarem-se das tarifas reduzidas enquanto não é atingido o teto da cota. Conforme mapeamento, apenas cerca de 0,8% dos produtos comercializados em em 2025 são de produtos que não estão negociados pelo acordo, como alguns açúcares especiais.

 

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