Taxa das blusinhas

"Não somos os errados", diz Abicalçados sobre concorrência com a China

Presidente da principal entidade do setor, Haroldo Ferreira criticou o fim da taxa das blusinhas e pede reversão de decisão do governo federal

Presidente da principal entidade do setor, Haroldo Ferreira criticou o fim da taxa das blusinhas e pede reversão de decisão do governo federal
 -  (crédito: Divulgação/BFSHOW)
Presidente da principal entidade do setor, Haroldo Ferreira criticou o fim da taxa das blusinhas e pede reversão de decisão do governo federal - (crédito: Divulgação/BFSHOW)

São Paulo (SP) – O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, criticou o fim da chamada "taxa das blusinhas", que determinava uma tarifa de importação de 20% sobre produtos de até US$ 50. Segundo o líder da entidade, a mudança gera um desequilíbrio concorrencial com a indústria nacional e os produtos importados principalmente da Ásia.

Além dos custos baixos, Ferreira destacou que países como China, Índia e Vietnã — os maiores produtores globais de calçados — não respeitam as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevêem condições mínimas para o emprego.

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“O Brasil tem quase 100 convenções da OIT, onde o Brasil é signatário. Na Ásia, China, Vietnã, Indonésia, é em torno de 20, as condições mínimas de trabalho que deverão ser cumpridas, isso na Ásia não acontece. Então, é uma concorrência desleal e não somos nós que estamos errados. Está errado lá”, disse o presidente.

A declaração de Ferreira ocorreu durante uma entrevista coletiva na 6ª BFSHOW, um evento organizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e pela NürnbergMesse Brasil, que ocorre entre os dias 18 e 20 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Ameaça a empregos

De acordo com um estudo feito pela associação calçadista, 54 mil postos de trabalho estão ameaçados caso o governo não volte atrás com a taxa das blusinhas. O líder da entidade disse que já está em trabalho com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para tentar reverter a decisão.

“Então, o custo deles (asiáticos) é muito inferior ao custo de produzir aqui no Brasil e todos os empresários fabricantes que estão aqui sabem o quão difícil é fazer e empreender no nosso país”, completou Ferreira.

Então, essa isenção, nós estamos trabalhando junto com a Fiesp, junto com a CNI e vai ter que ter uma mudança, porque ela foi criada para buscar, tentar dar uma isonomia, porém com o zeramento, isso prejudica toda a indústria nacional e coloca em risco postos de trabalho no Brasil. Nós fizemos um estudo que, na cadeia do setor calçadista, 54 mil postos de trabalho correm o risco se não conseguirmos reverter esse zeramento da taxa das blusinhas.


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postado em 19/05/2026 16:33 / atualizado em 19/05/2026 16:34
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