
O setor de calçados ainda é um dos mais atingidos pela imposição de tarifas de 50% a produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos em julho de 2025. Fora das listas de exceções, as principais empresas do país convivem com perda de receitas e, consequentemente, de funcionários em atividade. Somente no último mês de dezembro, houve uma redução de 10,9 mil empregos no setor, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Os dados têm como base as estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Apesar de revelarem um crescimento do emprego formal no país, apontam que no setor de calçados o movimento é diferente. Com um saldo negativo de 3 mil postos de trabalho em 2025, o segmento encerrou o ano com um total de 273,9 mil empregos diretos na atividade, o que representa uma queda de 1,1% na comparação com 2024.
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Para o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, os resultados negativos ocorrem em virtude da vigência das tarifas maiores sobre produtos exportados para os Estados Unidos, além de choques recentes no cenário internacional. Em 2025, a produção de calçados no Brasil caiu 2,2% ante o ano anterior, o que levou também ao crescimento das importações e à desaceleração do mercado doméstico no segundo semestre.
“Além dos impactos advindos da instabilidade do cenário internacional, a indústria calçadista foi afetada, especialmente no segundo semestre de 2025, pela desaceleração da economia brasileira e, por consequência, pelo enfraquecimento do consumo interno. Esse movimento ocorre em um contexto no qual o patamar elevado da taxa de juros sustenta níveis igualmente elevados de endividamento das famílias, comprimindo a renda disponível para consumo”, avalia Ferreira.
Até julho de 2025, o setor de calçados ainda se mostrava aquecido, com a criação de 12,7 mil postos de trabalho diretos no mês. No entanto, com a entrada em vigor da tarifa adicional de 50% aplicada aos calçados brasileiros a partir do mês de agosto, o setor registrou o fechamento de 15,7 mil postos de trabalho nos últimos cinco meses do ano e reverteu o movimento de geração de vagas observado na primeira metade de 2025.
Na última terça-feira (3/2), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera reduzir todas as tarifas adicionais que ainda incidem sobre os produtos brasileiros durante a viagem do chefe do Executivo a Washington, no próximo mês de março. “Já caiu bem o tarifaço, mas a ideia é zerar. Não há razão para ter um tarifaço”, argumentou o vice.

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