Política monetária

Galípolo vê risco inflacionário maior com guerra no Oriente Médio

Presidente do BC afirma que autoridade monetária precisará de "ainda mais vigilância" para conter efeitos indiretos da alta do petróleo sobre os preços

O presidente do Banco Central, (BC) Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (13/5) que a autoridade monetária precisará atuar com “ainda mais vigilância” diante dos efeitos indiretos de choques de oferta sobre a inflação, como os provocados pela guerra no Oriente Médio, que elevou as cotações internacionais do petróleo.

Segundo Galípolo, o desafio do BC é evitar que aumentos concentrados em determinados produtos se espalhem para o restante da economia, pressionando os preços de forma mais persistente e exigindo uma política monetária mais rígida.

O presidente da autoridade monetária destacou que o cenário brasileiro torna esse processo mais delicado, devido às expectativas de inflação ainda acima da meta de 3% e ao mercado de trabalho aquecido, fatores que ampliam o repasse da alta de preços para outros setores da economia.

“Neste momento, conseguir separar o que é efetivamente um choque de oferta, provocado pelo conflito geopolítico ou por efeitos climáticos, dos efeitos de segunda ordem, que exigem ainda mais vigilância, não é uma abordagem simples. Mas o BC seguirá comprometido com o controle do processo inflacionário”, afirmou durante a abertura da Conferência Anual do BC, em Brasília.

Galípolo afirmou ainda que a sucessão de choques de oferta nos últimos anos tem colocado em xeque a credibilidade dos bancos centrais. Ele citou os impactos da pandemia de covid-19, da guerra na Ucrânia, do tarifaço internacional e, agora, do conflito no Oriente Médio.

Descompasso

Segundo o presidente do BC, há um descompasso entre a atuação das autoridades monetárias e a percepção da população sobre o custo de vida. Enquanto os bancos centrais trabalham para controlar o ritmo de alta da inflação, consumidores continuam sentindo os efeitos acumulados do aumento de preços.

“Estamos vivendo um período de forte concentração de incertezas e eventos climáticos e geopolíticos. Este é o quarto choque de oferta em menos de seis anos. Os instrumentos dos bancos centrais foram desenhados para outro tipo de crise. Infelizmente, esses choques afetam diretamente a percepção da população sobre o mandato do BC, que é proteger o poder de compra da moeda e o custo de vida das pessoas”, disse.

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