O varejo brasileiro registrou crescimento de 3,6% no Dia das Mães de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O levantamento considera as vendas realizadas entre 4 e 10 de maio e compara com o intervalo de 5 a 11 de maio de 2025.
Apesar da alta, os números mostram uma mudança importante no comportamento do consumidor. Em vez de concentrar os gastos em presentes tradicionais, os brasileiros ampliaram o consumo de serviços, experiências e itens ligados ao bem-estar. O resultado também confirma o terceiro ano consecutivo de crescimento do varejo na data comemorativa. Depois de uma retração de 4,2% em 2023, o setor avançou 6,8% em 2024, cresceu 6,3% em 2025 e agora teve alta de 3,6% em 2026.
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Segundo a Cielo, a desaceleração em relação aos anos anteriores indica um consumidor mais cauteloso diante do cenário econômico. Ainda assim, o Dia das Mães continua sendo uma das principais datas para o comércio brasileiro.
Norte e Nordeste lideram crescimento
Entre as regiões do país, o Norte apresentou o melhor desempenho no período, com crescimento de 4% nas vendas. O Nordeste apareceu logo em seguida, com avanço de 3,3%, reforçando a força do consumo nessas regiões.
O Centro-Oeste foi a única região a registrar queda
Na análise por estados, Pernambuco liderou o crescimento nacional, com alta de 4,3%. O Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, com avanço de 4%. Ceará e Distrito Federal também se destacaram, ambos com crescimento de 3,7%.
No sentido contrário, Goiás apresentou o pior resultado do país, com retração de 1,5% nas vendas durante o período.
Serviços e experiências ganham espaço
Os dados do ICVA mostram que o consumidor passou a priorizar gastos relacionados a experiências e autocuidado. O macrossetor de Serviços foi o que mais cresceu, com alta de 5%, acima da média do varejo total.
Já o segmento de bens duráveis e semiduráveis recuou 0,7%, indicando menor procura por produtos físicos tradicionais.
Os setores ligados diretamente à compra de presentes tiveram queda de 1,3% no varejo total. A única exceção foi o segmento de cosméticos e cuidados pessoais, que registrou crescimento.
Entre os destaques positivos aparecem Turismo e Transporte, com alta de 7,7%, além de Drogarias e Farmácias, que cresceram 4,9%.
Para Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, os dados refletem uma mudança de comportamento. “O consumidor brasileiro continua celebrando o Dia das Mães, mas está mais racional na forma de consumir. O crescimento do comércio eletrônico mostra uma busca maior por conveniência, comparação de preços e promoções, enquanto os serviços reforçam uma tendência de valorização de experiências”, afirmou.
Comércio eletrônico avança acima da média
O comércio eletrônico teve desempenho ainda mais forte no período. As vendas online cresceram 11,2%, índice mais de três vezes superior ao avanço do varejo total.
Todos os macrossetores registraram crescimento no ambiente digital. O destaque ficou para bens não duráveis, com avanço de 14,7%.
Entre os segmentos do e-commerce, Óticas e Joalherias lideraram a alta, com crescimento de 22,4%. Em seguida aparecem Móveis, Eletro e Departamentos, que avançaram 15,7%.
Os setores considerados presenteáveis no comércio eletrônico tiveram expansão de 9,3%.
Segundo Carlos Alves, o comportamento do consumidor indica uma postura mais planejada nas compras. “O Dia das Mães deste ano mostra um consumidor menos impulsivo e mais estratégico. O brasileiro segue comprando, mas está escolhendo melhor onde e como gastar”, disse.
Lojas de rua têm resultado melhor que shoppings
Outro dado observado pelo levantamento foi a diferença de desempenho entre os canais físicos de venda.
As lojas de rua registraram crescimento de 2,3% durante o período analisado. Já os shoppings centers apresentaram retração de 0,7%, indicando menor movimento nesses espaços comerciais na data comemorativa.
O ICVA acompanha mensalmente a evolução do varejo brasileiro com base em vendas realizadas em 18 setores monitorados pela Cielo, reunindo informações de pequenos lojistas e grandes varejistas em todo o país.
